Licensa

27/04/2014

Paulo Freire - Educar para Transformar

Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade. Paulo Freire
"Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda." Paulo Freire
O movimento das ideias, do pensamento, da palavra e da ação de Paulo Freire. A fala dos que souberam ouvir e trabalhar suas teses, aumentar em muitos outros tamanhos suas pedagogias. O vídeo vai retratar o cenário do surgimento da concepção freireana para a educação popular, as experiências de seu método de alfabetização no Brasil e no mundo, a partir da realidade de Angicos/RN, a primeira grande experiência que projetou Freire no Brasil e no mundo.
"Com a ideia clara de que ler e aprender são condições essenciais para a cidadania autêntica e a transformação do mundo, o educador, professor de escola, pesquisador, político e inovador Paulo Freire dedicou a vida à educação e levou seu método educativo aos cinco continentes do planeta."
"não há saber maior ou saber menor", mas sim, saberes diferentes.
Paulo Freire é considerado um dos pensadores mais notáveis na história da Pedagogia mundial, tendo influenciado o movimento chamado pedagogia crítica. A sua prática didática fundamentava-se na crença de que o educando assimilaria o objeto de estudo fazendo uso de uma prática dialética com a realidade, em contraposição à por ele denominada educação bancária, tecnicista e alienante: o educando criaria sua própria educação, fazendo ele próprio o caminho, e não seguindo um já previamente construído; libertando-se de chavões alienantes, o educando seguiria e criaria o rumo do seu aprendizado.
Destacou-se por seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência política.
Autor de Pedagogia do Oprimido, um método de alfabetização dialético, se diferenciou do "vanguardismo" dos intelectuais de esquerda tradicionais e sempre defendeu o diálogo com as pessoas simples, não só como método, mas como um modo de ser realmente democrático.
Em 13 de abril de 2012, foi sancionada a lei 12.612 que declara o educador Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira.
Foi o brasileiro mais homenageado da história: ganhou 41 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford.
O documentário é parte do Projeto Memória - 2005.

26/04/2014

Poemas da amiga (Mário de Andrade)

Gosto de estar a teu lado,
Sem brilho.
Tua presença é uma carne de peixe,
De resistência mansa e de um branco

Ecoando azuis profundos.
Eu tenho liberdade em ti.
Anoiteço feito um bairro,
Sem brilho algum.

Estamos no interior duma asa 
Que fechou. 

De Poemas da Amiga
Andrade, Mário de (1893 - 1945)

25/04/2014

Caixinha Mágica - Por Roseana Murray

Fabrico uma caixa mágica
para guardar o que não cabe 
em nenhum lugar:
A minha sombra
em dias de muito sol,
o amarelo que sobra
do girassol,
um suspiro de beija-flor,
invisíveis lágrimas de amor.

Fabrico a caixa com vento,
palavras e desequilíbrio
e para fechá-la
com tudo o que leva dentro,
basta uma gota de tempo.

O que é que você quer
esconder na minha caixa?

in Fábrica de Poesia, ed. Scipione.

Estudo e produção de texto com base no gênero 'causo'

Causo 'O Lenhador' contado por Rolando Boldrin no programa Senhor Brasil, da TV Cultura
Objetivos
Estudar o gênero causo e suas características.
Diferenciar a linguagem oral da escrita, reconhecendo o valor de ambas.
Aprender a passar causo do oral para o escrito, conservando suas características.
Conteúdos
Retextualização.
Gênero causo.
Material necessário
Cartolinas, livro Alexandre e Outros Heróis (Graciliano Ramos, 206 págs., Ed. Record.
Desenvolvimento
1ª etapa 
Pergunte aos alunos se eles já ouviram algum causo, conhecem pessoas que contam causos e compartilhe a informação de que esse será o gênero estudado a partir de agora. Explique que se trata de uma forma particular de contar histórias típicas do interior, que não são, necessariamente verdadeiras. Se alguma criança se lembrar de algum causo, peça que conte aos colegas.
2ª etapa 
Convide a turma para assistir um causo O Lenhador - contado por Rolando Boldrin. Discuta de que se trata o causo, como é a linguagem usada pelo contador e como seria o causo se ele fosse contado com a norma culta da língua. O sentido seria o mesmo? Despertaria risos e gargalhadas da plateia, como as mostradas no vídeo?
3ª etapa
Apresente o livro Alexandre e Outros Heróis para a criançada. Explique que os causos ali apresentados, parte do folclore nordestino, foram escritos por Graciliano Ramos, um importante escritor brasileiro. Leia o primeiro capítulo do livro - Primeira Aventura de Alexandre - em voz alta para a turma. É interessante que as crianças tenham o texto em mãos para acompanharem a leitura. 
Ao término da leitura converse sobre a escrita do causo, comparando-a com o vídeo assistido. Levante as seguintes questões:
Podemos escrever um causo da mesma maneira que falamos?
•O que é necessário conhecer, antes de escrever um causo?
Que características o texto lido tem que ajudam o leitor entender melhor a história? 
•Quais recursos o autor usa para deixar o texto com características de um causo?
Registre as descobertas em um cartaz que possa ser consultado posteriormente.
4ª etapa 
Apresente aos alunos o causo A Mulher do Boticário, contado por Rolando Boldrin. Explique às crianças que a tarefa agora é, coletivamente, passar o causo do oral para o escrito e que esse processo tem o nome de retextualização. Para isso, em primeiro lugar, é necessário ter o causo de Boldrin transcrito na íntegra. Para que os alunos conheçam como é feito o processo de transcrição e as características do material, transcreva os primeiros minutos do vídeo no quadro, destacando a importância de ser fiel à fala do narrador e também de indicar as pausas (com reticências), os marcadores de fala (como né, olha e daí) e a entonação (com pontos de exclamação e interrogação). Peça que a turma transcreva um pequeno trecho seguinte para conhecer como se dá o processo. Depois, distribua cópias da transcrição completa e exponha o mesmo texto no quadro. 
5ª etapa
Para prosseguir com o processo de retextualização, ensine aos estudantes o que fazer com o material transcrito. Primeiro, é necessário analisá-lo. Existem muitos termos informais e marcadores de fala? Há vários termos repetidos? Quais? As conjugações verbais são adequadas aos sujeitos das orações? 
Peça que as crianças identifiquem essas características fazendo marcações na transcrição utilizando canetas coloridas. 
6ª etapa
Agora é hora de a garotada tomar algumas decisões com base nas marcações anteriores para retextualizar, de fato, o causo. Os termos repetidos serão eliminados ou eles são importantes para manter as características do causo em questão? É preciso reordenar os parágrafos para que a produção fique coerente? Quais marcas de oralidade devem ser mantidas? O causo será escrito com o mesmo narrador utilizado pelo contador do causo? 
7ª etapa
Com base na transcrição exibida no quadro, comece a reescrita do causo. Você será o escriba: peça que os alunos orientem o que você deve fazer. Esclareça que nesse processo, é importante consultar o texto transcrito e as marcas feitas constantemente, ler e reler o material que está sendo escrito, ir e vir várias vezes, reescrever o que for necessário, inserir e retirar palavras para garantir qualidade ao material. Encerrada a tarefa, leia o causo em voz alta e peça que a turma analise o resultado, comparando-o com o causo do vídeo. 
8ª etapa
Organize a classe em trios ou quartetos e selecione um causo para cada um. Explique que a tarefa é retextualizar outros causos. Para selecionar o material a distribuir, você deve buscar outros causos na internet, contados por Boldrin ou por outros contadores, como Almir Sater, que narra A Lenda.
Antes de distribuir o material para os alunos, assista aos vídeos previamente para garantir que o conteúdo é adequado à idade da turma. Providencie cópias da transcrição completa para que os trios ou quartetos não percam tempo com essa etapa. Durante a retextualização, é importante circular pela sala, fazendo algumas intervenções diretas e anotando os aspectos que deverão ser retomados. Encerrada a análise da transcrição e iniciada a revisão, interrompa o trabalho e recolha as produções. 
9ª etapa
Analise as produções dos trios ou quartetos e escolha uma delas que apresente os erros mais comuns cometidos pelos alunos para apresentá-lo no quadro e promover uma discussão com toda a turma. Converse sobre a importância dos sinais de pontuação, o tempo verbal, as marcas da oralidade, as repetições de palavras (oriente para as substituições pronominais e lexicais) e também sobre as marcas de oralidade mantidas. 
10ª etapa
Devolva as produções dos trios ou quartetos com bilhetes, trecho a trecho, se necessário, para que os estudantes voltem a trabalhar no material, a fim de melhorá-lo. Lembre-se de fazer anotações que instiguem e direcionem a turma. Evite deixar marcações diretivas ou correções explícitas. 
11ª etapa 
A próxima etapa de revisão de cada causo não será feita por nenhum integrante do trio ou do quarteto e sim por colegas de outros grupos. Esse distanciamento do texto (e a consequente proximidade com o texto de outra pessoa) é valioso para que as crianças pensem sobre diferentes formas de escrever, conheçam novos recursos, se deparem com outros problemas e tenham de resolvê-los. Encerrada essa etapa, providencie a devolução do material para os grupos e peça que eles finalizem a retextualização. Recolha os causos e analise o material.
Avaliação
Como tarefa de casa, peça que as crianças procurem entre os familiares e conhecidos, alguém que conheça um bom causo para contar para a turma e que possa ir até à escola narrar a história. A tarefa da classe será retextualizar o causo coletivamente. Oriente a turma a organizar a gravação do causo e discuta com a sala a importância desse procedimento e os perigos de confiar a tarefa à memória. Características importantes podem ser perdidos, tal como a variação na entonação da fala do narrador e detalhes sobre o causo. Encerrada a apresentação do causo, oriente todo o processo de retextualização. Para que a garotada não perca tempo com o processo de transcrição, lembre-se de entregá-la pronta ao grupo.
Durante o processo de retextualização, observe a linguagem utilizada no texto, os aspectos discutidos nas revisões, os avanços que os alunos tiveram na escrita, estruturação e pontuação. Analise também como a turma se apropriou dos elementos típicos do gênero causo e se lançou mão deles com pertinência. Fonte

20/04/2014

Quem Conta um Conto - A Arvore Generosa

Há livros que lemos e relemos e não nos cansamos de nos emocionar. O clássico mundial A Árvore Generosa, do norte-americano Shel Silverstein, que já vendeu mais de 1 milhão de exemplares no mundo todo, é um deles. 
O livro mostra a história de amizade entre uma árvore e um garoto que nos remete a uma série de relações da vida, como até mesmo a de filhos e pais. Com o traço delicado e um ritmo calmo e forte ao mesmo tempo, a história atinge leitores de todas as idades. A Árvore Generosa foi lançado aqui pela primeira vez em 1964, com tradução de Fernando Sabino, e relançado em 2006, pela Editora Cosac Naify.
Era uma vez uma Árvore que amava um menino.
E todos os dias, o menino vinha e juntava as suas folhas. E com elas fazia coroas de rei. E com a Árvore, brincava de rei da floresta. Subia no seu grosso tronco, balançava-se em seus galhos! Comia seus frutos.
e quando ficava cansado, o menino repousava à sua sombra fresquinha.
O menino amava a Árvore profundamente.
E a Árvore era feliz!
Mas o tempo passou e o menino cresceu!
Um dia, o menino veio e a Árvore disse:
"Menino, venha subir no meu tronco, balançar-se nos meus galhos, repousar à minha sombra e ser feliz!"
"Estou grande demais para brincar", respondeu o menino. "Quero comprar muitas coisas. Você tem algum dinheiro que possa me oferecer?"
"Sinto muito", disse a Árvore, "eu não tenho dinheiro. Mas leve os frutos, Menino. Vá vendê-los na cidade, então terá o dinheiro e você será feliz!"
E assim o menino subiu pelo tronco, colheu os frutos e levou-os embora.
E a Árvore ficou feliz!
Mas o menino sumiu por muito tempo... E a Árvore ficou tristonha outra vez.
Um dia, o menino veio e a Árvore estremeceu tamanha a sua alegria, e disse: "Venha, Menino, venha subir no meu tronco, balançar-se nos meus galhos e ser feliz."
"Estou muito ocupado pra subir em Árvores", disse o menino. "Eu quero uma esposa, eu quero ter filhos e para isso é preciso que eu tenha uma casa. Você tem uma casa pra me oferecer?"
"Eu não tenho casa", disse a Árvore. "Mas corte os meus galhos, faça a sua casa e seja feliz."
O menino depressa cortou os galhos da Árvore e levou-os embora para fazer uma casa.
E a Árvore ficou feliz!
O menino ficou longe por um longo, longo tempo, e no dia que voltou, a Árvore ficou alegre, de uma alegria tamanha que mal podia falar.
"Venha, venha, meu Menino", sussurrou, "venha brincar!"
"Estou velho para brincar", disse o menino, "e estou também muito triste." "Eu quero um barco ligeiro que me leve pra bem longe. Você tem algum barquinho que possa me oferecer?"
"Corte meu tronco e faça seu barco", disse a Árvore. "Viaje pra longe e seja feliz!"
O menino cortou o tronco, fez um barco e viajou.
E a Árvore ficou feliz, mas não muito!
Muito tempo depois, o menino voltou.
"Desculpe, Menino", disse a Árvore. "não tenho mais nada pra te oferecer. Os frutos já se foram."
"Meus dentes são fracos demais pra frutos", falou o menino.
"Já se foram os galhos para você balançar", disse a Árvore.
"Já não tenho idade pra me balançar", falou o menino.
"Não tenho mais tronco pra você subir", disse a a Árvore.
"Estou muito cansado e já não sei subir", falou o menino.
"Eu bem que gostaria de ter qualquer coisa pra lhe oferecer", suspirou a Árvore. "Mas nada me resta e eu sou apenas um toco sem graça. Desculpe ... "
"Já não quero muita coisa", disse o menino, "só um lugar sossegado onde possa me sentar, pois estou muito cansado."
"Pois bem", respondeu a Árvore, enchendo-se de alegria. "Eu sou apenas um toco, mas um toco é muito útil pra sentar e descansar.
Venha, Menino, depressa, sente-se em mim e descanse."
Foi o que o menino fez.
E a Árvore ficou feliz. Fonte

Fátima, a Fiandeira

Esta história é muito conhecida no folclore grego, onde em muitos de seus temas contemporâneos figuram dervixes e suas lendas. A versão aqui apresentada é atribuída ao Xeque Mohamed Jamaludin de Adrianópolis. Fundou a Ordem Jamalia ("A Formosa"), e faleceu em 1750.
Extraído de 'Histórias dos Dervixes'
Idries Shah
Nova Fronteira 1976

18/04/2014

Cansa Sentir Quando se Pensa - Por Fernando Pessoa

Cansa sentir quando se pensa. 
No ar da noite a madrugar 
Há uma solidão imensa 
Que tem por corpo o frio do ar. 

Neste momento insone e triste 
Em que não sei quem hei de ser, 
Pesa-me o informe real que existe 
Na noite antes de amanhecer. 

Tudo isto me parece tudo. 
E é uma noite a ter um fim 
Um negro astral silêncio surdo 
E não poder viver assim. 

(Tudo isto me parece tudo. 
Mas noite, frio, negror sem fim, 
Mundo mudo, silêncio mudo - 
Ah, nada é isto, nada é assim!) 

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'

Relacionamentos com vínculos superficiais ou profundos

Os nossos relacionamentos vão se construindo com o tempo, em camadas cada vez mais profundas, que exigem níveis de troca, de diálogo e acertos cada vez mais delicados, construindo vínculos cada vez mais complexos. Numa metáfora simples, parecem-se com as camadas de uma cebola: começamos pelas mais externas e aparentes, mas as consolidamos - ou não - nas mais internas e profundas.

No começo de um relacionamento desejamos, percebemos, valorizamos e interagimos com as camadas mais externas do outro: a sua aparência, cada pedaço do seu corpo, as ricas sensações sensoriais que recebemos e expressamos por todos os sentidos e linguagens, principalmente através do olhar, do ouvir e do tocar.

Isso nos leva a um segundo nível de interação em camadas que misturam o sensorial e o emocional: paixão, prazer, gostar de estar juntos, inebriados com a presença, o toque, o gosto intenso de estar com quem amamos, de compartilhar cada detalhe da vida e dos projetos de curto e médio prazo.

A convivência intensa revela crescentes níveis de intimidade, com a necessidade de equacionar formas mais complexas de convivência, de negociar diferenças, de lidar com pontos de vista divergentes, com valores diferentes. Geralmente começamos fazendo esforços intensos de aproximação e de contorcionismo diante das diferenças. Evitamos o confronto direto, procuramos mais o que nos aproxima do que o que nos separa, insistimos mais no que nos une do que nos diferencia. Fazemos um esforço forte de encontrar o máximo denominador possível: cedemos no que não nos parece essencial, acomodamos as visões conflitantes de forma mais ou menos satisfatória ou tranquilizadora. Mas a tensão pode permanecer incubada, se estiver mal resolvida, e vai aparecer em momentos de confronto com tomadas de decisão conflitantes (profissionais, familiares, projetos pessoais). 

Com o tempo, em alguns momentos, as diferenças aparecem mais claramente e explicitamos o que para cada um é inamovível, fundamental, do qual não abre mão porque ameaça nossa identidade e projeto de vida. É o tempo das negociações profundas, das aproximações complexas, de ver se é possível chegar a um acordo, cedendo um pouco de ambos os lados, para não perder tudo, cedendo demais ou sentindo-se dominado pelo autoritarismo ou inflexibilidade do parceiro. É nesta etapa que se define de verdade se o relacionamento vai ser bem sucedido – evoluindo num entendimento mais pleno - ou tenderá a complicar-se, a radicalizar posições, a exigir mudanças no outro sem contrapartida. 

Os relacionamentos duradouros bem sucedidos conseguem, nesta etapa, equilibrar o que os diferencia e o que os une, estabelecendo pactos consciente-inconscientes de entendimento que são satisfatórios, viáveis e que impõem o menos desgaste possível, apesar das diferenças existentes. Não mascaram as diferenças, procuram integrá-las ao máximo como diferenças, mas mantêm um vínculo afetivo, de compreensão e acolhimento que não foca mais as diferenças do que as semelhanças. Percebem as diferenças, conversam em alguns momentos sobre elas e aprendem a valorizar mais o que os une do que o que os pode separar.

Se este nível de acordos é mais satisfatório do que insatisfatório, se os dois lados se sentem mais contemplados e aceitos do que de alguma forma com a sensação de estar cedendo demais ou a contragosto, a tendência é a que consigam manter o relacionamento de forma sólida de forma muito mais duradoura e consistente. Esses acordos profundos relativizam ou compensam algum diminuição da empolgação sensorial, do intenso contato físico das primeiras etapas para valorizar a importância de equilibrar o tempo de estar juntos e os tempos pessoais de autonomia, caminhando no aprofundamento dos laços em todas as dimensões da vida.

Quando um relacionamento se constrói só nos primeiros níveis ou camadas, e se mantém pela paixão ou pela obrigação (filhos) ou por algum medo (da solidão, por exemplo), a tendência é a de não investir tanto no entendimento profundo (“o outro é que tem que mudar”), de não valorizar tanto tudo o que favorece a união e de destacar mais o que nos incomoda no outro do que o que nos realiza. É a fase das cobranças, dos desentendimentos, das acusações explícitas ou ressentidas ou da indiferença progressiva.

Muitos não sobrevivem a essa falta de intimidade e confiança profunda e se separam; outros tantos permanecem “amarrados” mutuamente, mas sentindo-se intimamente insatisfeitos, percebendo um distanciamento íntimo progressivo, embora até possam manter externamente as aparências de um casal bem sucedido (para muitos o parecer felizes é mais importantes do que sê-lo de verdade).

A vida nos oferece a possibilidade de aprender a construir relacionamentos que valem a pena, que nos realizam além das aparências, que criam vínculos profundos. Mas, como em outros campos, essa competência precisa ser desenvolvida com cuidado, observação, atenção e avaliação. A grande vantagem de nosso tempo é que temos a possibilidade legal e real de rever decisões de conviver com outro que pareciam definitivas, mas que não se confirmam, e de começar novas experiências de relacionamento diferentes das anteriores, que possam nos realizar muito mais, se estivermos preparados. Mas se não aprendemos com as experiências, erros e reavaliações, corremos o risco de continuar repetindo modelos prontos de comportamento, de buscar as mesmas pessoas e situações em novos relacionamentos e de repetir modelos que se revelarão insatisfatórios com o tempo. Uns aprendem com os “fracassos”, outros repetem os mesmos procedimentos com pessoas diferentes, aparentemente, e por isso reclamam de que é os relacionamentos são datados, que não dão certo no longo prazo e de que é melhor estar sós do que mal acompanhados.

Uma das maiores realizações que a vida nos permite e desafia é a de poder evoluir cada vez mais como pessoas em todas as dimensões para poder construir percursos mais realizadores também na convivência com alguém em quem podemos, com o tempo, confiar de verdade e com quem a convivência diária traz muito mais realizações do que problemas.

Texto pessoal que reelabora o tema Equilibrando aceitação e Mudança, do meu livro Aprendendo a Viver, 6ª Ed. SP, Paulinas, 2011, p. 58-59
Texto disponível na minha página da USP em: http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2013/12/relacionamentos.pdf

14/04/2014

Que lição tirar de Mr. Holland: Adorável Professor?

A influência dos educadores na vida pessoal dos alunos pode ser mais forte do que aparenta e gerar frutos permanentes
FILME: Mr. Holland: Adorável Professor, dirigido por Stephen Herek, com Richard Dreyfuss e William H. Macy, 1995. 
A HISTÓRIA: Em 1964, um músico (Richard Dreyfuss) resolve começar a lecionar para ter mais dinheiro e assim se dedicar a compor uma sinfonia. Mas os alunos se mostram pouco interessados e as coisas se complicam quando a esposa dele da luz a um bebê surdo. Para poder financiar os estudos especiais e o tratamento do filho, o professor se envolve cada vez mais com a escola, deixando de lado seu sonho de tornar-se um grande compositor. 
QUEM INDICA: o jornalista Paulo Maffia. "É um filme sensível, que mostra que Educação não é só livro e caderno, mas é formar e transformar seres humanos. Esse professor de música toca a vida das pessoas de forma diferente." 
POR QUE VER: "Você percebe que diante de todas as adversidades, diante de toda uma vida, é possível deixar uma história, uma construção. Às vezes, por mais tola e boba que pareça nossa influência na vida das pessoas, ela é contundente, muda mesmo", diz o professor de biologia Leandro Alcerito, do Colégio Vértice, de São Paulo.
QUE BOM EXEMPLO TIRAR: "Numa das primeiras aulas, o professor coloca uma música dos anos 60 para tocar, algo bem importante naquele momento histórico. E depois chega ao piano e toca uma peça erudita para mostrar como as duas são parecidas. Isso mostra que o currículo tem de estar em consonância com o seu momento. É um saber organizado, construído ao longo do tempo, mas o educador tem de fazer diálogo com o que está acontecendo. Não adianta eu querer falar de música se não faço ideia do que é que meus alunos estão ouvindo. Eu preciso gostar? Claro que não. Mas tenho de saber", diz Zilton Salgado, professor de artes, filosofia e sociologia do Colégio Vértice. Fonte

Que lição tirar de Legalmente Loira?

Superar os preconceitos e investir no próprio esforço são itens essenciais para a realização pessoal
FILME: Legalmente Loira, dirigido por Robert Luketic, com Reese Whiterspoon e Luke Wilson, 2001. 
A HISTÓRIA: Poucas pessoas no mundo têm os mesmos privilégios que Elle Woods (Reese Whiterspoon). Ela é linda, loira natural, tem muito dinheiro e namora o garoto mais desejado do colégio. Porém, quando ele vai estudar direito em Harvard e se encanta por uma arrogante colega de classe, dispensa Elle por considerá-la fútil. Inconformada com a situação, a patricinha decide ingressar na mesma universidade e provar a todos sua capacidade. 
QUEM INDICA: O jornalista e escritor Eduardo Torelli. "Mostra que a inclinação do indivíduo a determinadas matérias transcende os estereótipos. E que, às vezes, podemos ser notavelmente aptos a algum tipo de atividade sem sequer nos darmos conta desse fator. O meio educacional, o estímulo e a vivência com os demais é que despertarão esse dom em nós. Elle desenvolve um genuíno interesse pela faculdade e se torna uma das melhores advogadas formadas pela instituição." 
POR QUE VER: "Fala do peso que os estereótipos impostos pela sociedade assumem na vida de uma garota. Ela cursa Direito e se sai superbem, sendo que ninguém apostava nela. Se o professor não acredita no potencial do aluno, o desejo dele esbarra na falta de motivação", diz Ana Lúcia Tampellini, coordenadora pedagógica da Escola São José de Vila Matilde, de São Paulo. 
QUE BOM EXEMPLO TIRAR: "Estereótipos nem sempre se confirmam. No caso do filme, a garota loira e sempre bem arrumada mostra que patricinhas não são necessariamente burras. É uma excelente reflexão para professores que se deixam guiar pelo que lhes é dito e pelo apelo das aparências", alerta Ana Lúcia. Fonte

Que lição tirar de O Homem-Elefante?

Ir além das aparências é a chave para descobrir as possibilidades do aluno e explorar todo o potencial de aprendizagem
FILME: O Homem-Elefante, dirigido por David Lynch, com Anthony Hopkins e John Hurt, 1980. 
A HISTÓRIA: John Merrick (John Hurt), um desafortunado cidadão da Inglaterra vitoriana é portador do caso mais grave de neurofibromatose múltipla registrado, com 90% do corpo deformado. Ele é considerado deficiente mental e explorado em circos de aberrações até ser descoberto pelo médico Frederick Treves (Anthony Hopkins), que o leva a um hospital onde se revela um ser sensível e inteligente. Inspirado na vida de Joseph Merrick. 
QUEM INDICA: O jornalista e escritor Eduardo Torelli. "Vemos que o acesso aos meios culturais é, em última instância, determinante para o modo como assimilamos o mundo - e também, para o modo como o mundo nos avalia. Apresentado como monstro circense, Merrick conquista cidadania ao revelar às pessoas certas sua inclinação natural para a música e para a poesia, que estavam aprisionadas em um exterior monstruoso". 
POR QUE VER: "A gente percebe que existe em todo ser humano uma possibilidade gigantesca. Ela pode aparecer como grotesca, como no filme, mas por trás dessa condição existe alguma coisa diferente. Ao longo do filme, nossa relação com o personagem vai mudando. Coisas feias podem se tornar belas. Causa certo interesse mágico pelo sapo que pode virar príncipe", comenta o professor de artes, filosofia e sociologia Zilton Salgado, do Colégio Vértice, de São Paulo.
QUE BOM EXEMPLO TIRAR: "É possível enxergar nessa obra o valor da inclusão como necessidade social. Além de uma legítima ação reconstrutora da dignidade humana", conclui Ana Lúcia Tampellini, coordenadora pedagógica da Escola São José de Vila Matilde, chamando atenção para o paralelo entre o filme e a sensibilidade necessária para lidar com estudantes portadores de necessidades especiais. Fonte

Que lição tirar de Gênio Indomável?

Por maior que seja o conhecimento sobre determinada área, é preciso obter formação humana para viver plenamente. 
FILME: Gênio Indomável, dirigido por Gus Van Sant, com Matt Damon e Robin Williams, 1997. 
A HISTÓRIA: Will Hunting (Matt Damon) tem 20 anos e já registrou algumas passagens pela polícia. Trabalhando como servente em uma universidade, se revela um gênio em matemática. Ele faz terapia, por decisão judicial, mas não apresenta resultados de melhora porque debocha de todos os analistas. Até encontrar um com quem de se identifica. 
QUEM INDICA: O jornalista e escritor Eduardo Torelli. "A obra destaca a diferença entre inteligência e conhecimento, bem como a relevância do meio social na formação de um indivíduo. No entanto, o maior "aprendizado" do protagonista se dá por meio de um psicólogo que trará à luz os traumas e recalques do jovem super-dotado, para transformá-lo em um adulto capaz de exercer plenamente as potencialidades." 
POR QUE VER: "Conhecimento não é tudo. O protagonista é muito bom matemática, mas em termos emocionais é uma criança de cinco anos. É muito legal perceber como a genialidade não é sinônimo de sucesso. Também é interessante mostrar o intelecto como uma forma de dar valor à sua vida, ao bem-estar. Ele é o típico aluno que pode decorar Shakespeare, mas nunca o sentiu", diz Leandro Alcerito, professor de biologia do Colégio Vértice, de São Paulo.
QUE BOM EXEMPLO TIRAR: "Perceber como o saber construído pode servir de metáfora. As soluções dos problemas matemáticos são apresentados como soluções para problemas da vida, o que às vezes pode ser aplicado em sala de aula", observa o professor de artes, filosofia e sociologia Zilton Salgado. Fonte

Que lição tirar de O Céu de Outubro?

Assim como os estudantes do interior dos EUA, é possível aprender a lutar pelos próprios sonhos com paciência e trabalho em equipe
FILME: O Céu de Outubro, dirigido por Joe Johnston, com Jake Gyllenhaal e Chris Cooper, 1999. 
A HISTÓRIA: O adolescente Homer Hickam (Jake Gyllenhaal) vive em uma cidade no interior dos EUA que vive basicamente da mineração. Ao saber que os russos lançaram o satélite Sputnik ao espaço, ele começa a sonhar em colocar um foguete em órbita. Para isso, Homer convence alguns amigos a ajudarem e, com o apoio de uma professora, dá início ao projeto que irá mudar sua vida para sempre. 
QUEM INDICA: o jornalista Paulo Maffia. "O filme mostra que a caminhada rumo ao sucesso é lenta, mas necessita de pessoas com pequenas iniciativas em vários momentos, como a professora. Uma mulher dessas consegue mudar o rumo da humanidade". 
POR QUE VER: "A grande lição é o papel dessa experiência, de como transformar as coisas por meio da prática. Aquele grupo de meninos está ali fazendo coisas. Não está simplesmente vendo conteúdos. O sonho está ali, junto, embrenhado, mas está embrenhado na prática. É uma prática transformadora do cenário social. A superação de obstáculos, o acreditar nos sonhos", avalia Zilton Salgado, professor de artes, filosofia e sociologia do Colégio Vértice, de São Paulo. 
QUE BOM EXEMPLO TIRAR: "O papel da tutoria dessa professora. Conduzir o ideal até a prática. Um caminho muito simpático de como se trabalhar com um projeto. O professor que trabalha com um grupo menor, que encabeça um grupo, faz a diferença na formação de quem tem esses anseios por saber mais", diz Salgado. Fonte

Que lição tirar de Billy Elliot?

Com sensibilidade e determinação, é possível livrar-se de rótulos, vencer preconceitos e conquistar a realização pessoal.
FILME: Billy Elliot, dirigido por Stephen Daldry, com Julie Walters e Jamie Bell, 2000.
A HISTÓRIA: Billy Elliot (Jamie Bell) é um garoto de 11 anos que vive em uma pequena cidade mineradora da Inglaterra. Mesmo obrigado pelo pai a treinar boxe, fica fascinado com o balé. Estimulado pela professora de dança da academia que frequenta (Julie Walters), ele resolve deixar a luta de lado e se dedicar totalmente ao balé e precisa enfrentar os preconceitos da sociedade local.
QUEM INDICA: A jornalista e escritora Isabella Saes. "O aprendizado de balé muda para sempre a vida de Billy, que acaba até sendo aprovado para o Royal Ballet de Londres. A transformação do pai dele - um cara super durão - numa pessoa mais sensível se dá justamente por meio desse filho, que resolve assumir a vontade de dançar e segue em frente".
POR QUE VER: "É uma obra que motiva a discussão sobre preconceito e discriminação por meio da história de um garoto que decide se dedicar a aprender dança, algo considerado impróprio para alguém do sexo masculino naquela região e naquela época", diz Ana Lúcia Tampellini, coordenadora pedagógica da Escola São José de Vila Matilde, de São Paulo.
QUE BOM EXEMPLO TIRAR: "Na cena em que eles estão construindo a coreografia da apresentação, ocorre algo bem diferente. A professora pede que ele traga as coisas que gosta para a academia: luva de boxe, a bola de futebol. Buscar esse conhecimento de dentro do aluno tem tudo a ver", acredita o professor de artes, filosofia e sociologia Zilton Salgado, do Colégio Vértice, também da capital paulista.
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Que lição tirar de Dúvida?

A mistura de drama e suspense está concorrendo a 5 Oscar e mostra que é essencial vigiar o ambiente escolar, mas sem paranoia.
FILME: Dúvida, dirigido por John Patrick Shanley, com Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman, 2008
A HISTÓRIA: Em 1964, no bairro novaiorquino do Bronx, uma escola católica se divide entre a rigidez da diretora, irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), e o carisma libertário do padre Flynn (Philip Seymour Hoffman), que também atua como professor na instituição. A partir de pistas incertas, a religiosa começa a suspeitar que ele tenha cometido abuso sexual contra um novo aluno, o primeiro negro a estudar no colégio. A dúvida entre a culpa ou inocência do padre também atinge a jovem irmã James (Amy Adams), que não consegue escolher qual dos colegas deve ajudar.
QUEM INDICA: O crítico de cinema Rubens Ewald Filho. "É uma grande polêmica. [A pedofilia] ganhou um tom mais pesado, muito dramático. No que se refere à Educação, é um filme sobre sistemas educacionais, no caso o católico tradicional. O grande momento são as cenas com a mãe do aluno [que supostamente sofreu abuso sexual], que tenta preservar a integridade do filho. É um conflito terrível que ela sofre." 
POR QUE VER: "A lição é que a escola não se realiza sem o estudante e temos muito que aprender com esses que estão chegando hoje a nossas salas de aula. Porque um dia é de um jeito e no outro ano não é o mesmo adolescente que está começando", opina Laurindo Cisotto, assessor psicopedagógico do Ensino Médio no Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo. Ele complementa dizendo que é preciso "sair do campo coletivo e ter um olhar para as subjetividades que estão se formando. Elas estão cada vez mais presentes no espaço escolar. Já estavam, mas a norma escondia. Hoje isso está muito mais visível, apesar do preconceito." 
QUE BOM EXEMPLO TIRAR: Repare nas cenas da irmã James em sala de aula. Essa é a dica de Ascânio João Sedrez, diretor educacional do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo. "Têm momentos em que estamos tão pessoalmente envolvidos no trabalho que a gente vai ficando irritado. Você como ser humano está ali nessa relação com adolescentes e pré-adolescentes que vão te fustigando. O cuidado e a capacidade de pedir perdão aos estudantes é algo que cria um vínculo muito significativo. Se não tenho afeto pelos estudantes, a coisa não rola, a educação não acontece", avalia o gestor, que é mestre em Ciências da Religião. Fonte

13/04/2014

Bon Jovi - Hallelujah (Legendado)

"Hallelujah" é uma música do cantor canadense Leonard Cohen. Gravada originalmente em 1984 para o álbum Various Positions (1984), a canção já obteve inúmeras versões cantadas por diversos artistas como Bon Jovi, John Cale, Jeff Buckley, Rufus WainwrightK. D. Lang e Alexandra Burke. Já foi incluída em programas de televisão e trilhas sonoras de filmes como Shrek. É considerada por muitos uma das melhores músicas de todos os tempos. Fonte

“Ride of the Valkyries” (da obra “Die Walkure”, em português, “A cavalgada das Valquírias”) – Richard Wagner

Porque você conhece: Esta é provavelmente a música dramática mais famosa do mundo. Foi utilizada no filme “Apocalypse Now” como música de fundo para um ataque de helicóptero. Já tocou em inúmeros outros lugares, até desenhos animados (talvez principalmente em desenhos animados), e geralmente retrata pessoas indo para uma batalha.
O contexto original: Tocada em uma ópera sobre mulheres com lanças (exato!), você deve imaginar que “A cavalgada das Valquírias” (como a passagem musical é conhecida em português) é ouvida enquanto as bravas jovens batalham. Não. Está mais para tocada quando as luzes estão apagadas, a cortina está fechada e nada está acontecendo. Sim, a canção é tocada como abertura da obra.
Peraí: Uma das músicas mais legais tocadas em brigas e batalhas foi na verdade feita para ser ouvida enquanto o público está sentado educadamente olhando para uma cortina. Foi uma tentativa do compositor de empolgar a audiência, mas não para uma batalha, para um show. Quando a cortina sobe e as mulheres finalmente aparecem, o resto da música é usado como som de fundo enquanto as Valquírias se cumprimentam antes de um dia de trabalho. Sem brigas, sem fúria. Quase entediante. Fonte

“Pompa e Circunstância” (“Military Marches”, em português, “Marchas Militares”) – Sir Edward Elgar

Porque você conhece: Qualquer um que já tenha se graduado em algo, ou comparecido a qualquer formatura, deve ter ouvido essa música. Também é comum em filmes, em momentos vitoriosos.
O contexto original: a música que nos lembra conquista é a primeira de uma série de uma espécie de “álbum conceitual” da virada do século 20. Conceito de quê? Sangue, guerra e morte de jovens.
Peraí: A música não tem letra, mas em um esforço para definir do que ela se trata, o compositor Elgar prestativamente prefaciou seu significado com uma citação do poema “The March of Glory” (A Marcha da Glória), de Lord Tabley, que fala sobre marchar ao som de uma música que atrai os homens à morte, além de orgulho, nação, e outros temas (ou baboseiras militares, depende de sua posição quanto ao assunto). Ou seja, é sobre ansiosamente morrer em batalha. Mas não com significado positivo, do tipo “morrer em batalha é glorioso”. A música é uma forma de Elgar dizer: “Eu não acho que devemos marchar todos os nossos jovens para morrer na batalha”, o que os britânicos confundiram completamente, tocando-a para animar seus exércitos por anos. Pelo menos eles entenderam a parte da batalha corretamente, já que os americanos tocam a música em formaturas. Fonte

“The Year 1812” – Pyotr Ilyich Tchaikovsky

Porque você conhece: Você já ouviu essa, sem dúvida nenhuma. É uma música gloriosa que toca o tempo todo nos EUA (toca todo 4 de julho, feriado da independência), e aparece em filmes sempre que algo importante, ou excitante, ou explosivo, está acontecendo. Foi escrita por um cara russo, mas parece ser sobre a América. Talvez seja sobre a guerra de 1812 contra os ingleses, ou alguma outra batalha americana. É arrogante, triunfante, agressiva, e todo norte-americano pensa que ela diz “nós somos bons”.
O contexto original: Os americanos estão pagando de bobos. A música que toca todo 4 de julho é na verdade sobre uma batalha entre a Rússia e a França.
Peraí: Havia mais de uma guerra acontecendo em 1812, e a batalha dos EUA com a Grã-Bretanha não era a mais importante. O “grand finale” da música (a parte mais conhecida) contrapõe tiros de canhão explosivos com o som de “La Marseillaise”, o hino nacional francês, para representar os defensores russos esmagando o exército de Napoleão na batalha de Borodino. E porque cargas d’água os EUA tocam essa parada enquanto estouram seus fogos de artifício? Fonte

“O Fortuna” (da obra Carmina Burana) – Carl Orff

Porque você conhece: Procurando uma música terrivelmente dramática para usar no seu filme sobre vampiros? Desesperado para encontrar uma música que ilustrará super bem seu programa de TV sobre o fim do mundo? Encontrou imagens de um gatinho bonito e quer fazer um vídeo engraçado justapondo-as em trombetas com uma letra em latim sem sentido? “O Fortuna” é o que você está procurando. Incontáveis filmes, comerciais e qualquer coisa com drama já usaram essa clássica canção.
O contexto original: Enquanto a música foi escrita no século 20, todas as letras de Carmina Burana são retiradas de mais de 200 poemas medievais que são sobre: amor não correspondido; que estranha é a igreja, assim como o governo e o homem; beber. Soa como poesia de ensino médio? É porque é.
Peraí: O super dramático “O Fortuna” é apenas uma canção totalmente revoltada que veio de um poema meio bobo escrito por algum estudante medieval. As letras são sobre apostas, jogos de azar, ter má sorte (e perder sua camisa nas apostas). O arranjo é de um compositor alemão muito estranho, que queria celebrar “o triunfo do espírito humano através do equilíbrio sexual e holístico”. Fonte

“Hallelujah Chorus” (da obra Messias) – Handel

Porque você conhece: assim como a “Marcha Nupcial”, as associações com “Hallelujah Chorus” são uma espécie de lenda da cultura pop. Essa música épica e alegre, que soa como um grito de pessoas felizes cantando “Aleluia”, é muito usada em filmes religiosos, ou tocada em qualquer filme quando algo bom acontece. Você mesmo já deve ter cantarolado essa canção para si depois de alguma pequena vitória.
O contexto original: O “Hallelujah Chorus” é, como você deve ter imaginado, sobre Jesus; vem de Messias, uma obra de coral inteiramente sobre Jesus Cristo. Porém, o “Hallelujah Chorus", especificamente, é praticamente a trilha sonora para sua suposta segunda visita à Terra. É o fim do mundo como Jesus o conhece: Ele comanda o total extermínio em cima de uma nuvem negra monstruosa enquanto tudo abaixo se colapsa.
Peraí: Existe um cronograma muito explícito em Messias. Cada peça de música é uma parte da vida de Cristo, do início ao fim até depois do fim. O “Hallelujah Chorus” obteve sua letra a partir do Livro das Revelações, amplamente conhecido como a parte “insana” da Bíblia. Estamos todos gritando, enquanto Jesus termina o mundo que nos rodeia. Dizem que quando Handel terminou “Hallelujah Chorus”, foi encontrado chorando. Seu assistente perguntou o que havia acontecido, e Handel respondeu: “Eu pensei ter visto o rosto de Deus”. Assustador. Fonte

“Lá vem a noiva” (ou “Bridal Chorus”, em português, “Marcha Nupcial”) – Richard Wagner

Porque você conhece: Quem dera um casamento no qual não tocasse essa música. Já foi tocada de todas as maneiras, desde órgãos a orquestras completas conforme a noiva caminha até o altar. Quando você ouve tal melodia, já sabe que a noiva está para aparecer, provavelmente toda vestida de branco.
O contexto original: Assassinato em massa. A música vem da ópera “Lohengrin”, na qual o “Bridal Chorus” é na verdade cantado para a heroína Elsa e seu novo marido, Lohengrin, por suas damas de honra após o casamento, não antes! As pessoas trocam as coisas, fazer o quê. Ah, e depois dessa canção, Lohengrin assassina cinco convidados do casamento, e larga Elsa.
Peraí: Lohengrin não é uma ópera alegre, como você provavelmente adivinhou. O casamento dura duas canções. Depois que o machão assassino abandona Elsa (e por ser uma ópera), ela morre de tristeza. Assim, a música de órgão que se ouve em todos os casamentos hoje em dia é menos festiva e mais sinistra. Fonte

08/04/2014

"Professora sim... com muito prazer"

Primeira carta
Ensinar – aprender; leitura do mundo – leitura da palavra
Não existe ensinar sem aprender. Na medida que ensina, o ensinante acaba repensando o passado, de forma a rever suas posições. A necessidade de formação permanente implica a quem ensina tanto o ato de estudar – o qual implica não apenas a leitura da palavra, mas, também a leitura do mundo – como também uma análise crítica de sua própria prática.
Ler, estudar é um trabalho paciente, desafiador e persistente. Sendo assim, cabe à escola estimular o gosto pela leitura e escrita, já que, assim como ninguém nada se não nadar, ninguém escreve se não escrever.
Terceira carta
“Vim fazer o curso do magistério porque não tive outra opção”
A prática educativa é algo muito sério. Ao participarmos da formação de pessoas, participamos também do seu sucesso ou fracasso. O professor deve, portanto, ter convicção ao fazer a sua escolha, reconhecendo a dignidade e importância de sua tarefa, a qual é indispensável à vida social. Contudo, esse reconhecimento precisa partir também da sociedade, para que ela própria possa esperar e exigir uma educação de qualidade. “É óbvio que problemas ligados à educação, não são apenas problemas pedagógicos. São problemas políticos, éticos tanto quanto os problemas financeiros” (p. 51).
Quarta carta
Das qualidades indispensáveis ao melhor desempenho de professoras e professores progressistas
A primeira qualidade indispensável aos professores progressistas é a humildade, a qual exige coragem, confiança e respeito, em relação a si próprio e aos outros. Sem humildade dificilmente ouviremos com respeito aqueles que consideramos demasiadamente longe de nosso nível de competência. Da mesma forma, a amorosidade – não apenas aos alunos mas ao próprio processo de ensinar – e a tolerância – virtude que nos ensina a conviver com o diferente – são fundamentais.
A coragem para comandar e educar nossos medos, bem como a segurança, que demanda competência científica, clareza política e integridade ética, também são qualidades apontadas. Não se pode esquecer, ainda, da competência, da capacidade de decisão, da eticidade, da alegria de viver e do equilíbrio entre a paciência e a impaciência – a paciência sozinha pode levar à acomodação; a impaciência, por sua vez, a um ativismo irresponsável. Fonte

07/04/2014

Dinâmica do Pirulito

A dinâmica do pirulito é uma brincadeira muito fácil de ser feita e que tem uma mensagem muito poderosa sobre o trabalho em equipe, sobre como é importante ajudar o próximo seja no ambiente de trabalho ou no dia a dia. A atividade do pirulito pode ser aplicada nos mais diversos tipos de grupo, seja em um treinamento e desenvolvimento humano, no RH das empresas, em sala de aula para incentivar os alunos a desenvolverem o espírito de equipe, em catequeses e escolas bíblicas EBD ou células evangélicas para realizar uma reflexão sobre o egoísmo e altruísmo.
A brincadeira do pirulito também é muito utilizada em atividades com idosos, em grupos da terceira idade, clube a avó, pois esta é uma dinâmica de grupo muito simples de fazer e exige um pouco de coordenação motora sendo um bom exercício físico e mental. O coordenador desta atividade fazendo as devidas adaptações poderá utilizá-la de diversas maneiras, basta um pouco de criatividade.
Objetivo: Desenvolver o espírito de equipe, mostrar a importância de um ajudar o outro seja no ambiente de trabalho ou no dia a dia, na vida pessoal, como utilizar a criatividade para resolver problemas que envolvam o trabalho em grupo.
Número de participantes e tempo estimado: de 4 a 40 participantes, 50 minutos.
Material: pirulitos com embalagem suficiente para todos os participantes.
Assim que todos tiverem recebido o coordenador da atividade do pirulito dará o seguinte comando:
"A partir de agora ninguém mais pode sair do lugar e deverão seguir minhas instruções. Segurem o pirulito com a mão direita. A mão esquerda deve ser colocada para trás e não pode ser utilizada em nenhum momento, estiquem o braço direito para frente, a partir de agora ninguém poderá dobrar o braço, o único movimento que podem fazer é para a direita ou para a esquerda, quem dobrar o braço será retirado da brincadeira". O coordenador verifica o grupo e pergunta se alguém tem alguma dúvida, todos devem estar no mesmo lugar, segurando o pirulito com a mão direita e braço estendido para frente e a mão esquerda dobrada para trás sem poder ser usada.
(O coordenador continua...) Agora quero que todos desembrulhem o pirulito que está segurando na mão direita e comecem a chupar. Neste momento se instala a confusão, dependendo da idade dos participantes, pois esta atividade do pirulito pode ser feita em vários grupos, crianças, jovens, grupos de trabalho e até com idosos.
Alguns participantes logo se dão conta que não vão conseguir remover a embalagem do pirulito sozinhos e que precisarão da ajuda do companheiro do lado, pois só podem realizar movimentos para a direita ou para a esquerda, é muito engraçado ver as pessoas tentando abrir a embalagem com apenas uma mão e quando um dos participantes encontra a solução utilizando a ajuda do amigo ao lado todo o grupo entende a charada e logo em seguida começam a se ajudar mutuamente.
Em grupos com crianças pode ser que elas não encontrem uma solução, sendo assim o coordenador deverá dar dicas ou estando no círculo tomar a iniciativa oferecendo para que a pessoa ao lado o ajude a abrir a embalagem.
O primeiro desafio é remover a embalagem do pirulito, no entanto como não podem dobrar o braço, cada um deverá chupar o pirulito do colega do lado, isso deixa a brincadeira do pirulito muito divertida e através de uma linguagem metafórica passa a mensagem de que em determinadas circunstancias da vida é necessário pedirmos ajuda ao próximo para conseguirmos realizar uma tarefa. Fonte