Licensa

31/07/2012

Os livros são os degraus da imaginação!

Leitura desde cedo: incentive seu filho a ter amor pelos livros
Matéria publicada em 02/02/2012
MARIA TEREZA STANCIOLI
A linguagem do afeto: assim é a hora da leitura ou de ouvir histórias.
É sentir, viver e compartilhar a arte da palavra.
Por isso a Trupe Maria Farinha dá uma força para todos aqueles que desejam cultivar este ofício.
"Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava em um outro e fazia telhado. E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro." O relato é de Lygia Bojunga .
Quando criança, ela fazia do livro um brinquedo . Já adulta, transformou-se em uma das principais escritoras brasileiras de livros infantis.
A história de Lygia ilustra e comprova a teoria de que o contato com os livros desde cedo é importante para incentivar o gosto pela literatura.
Os benefícios da leitura são amplamente conhecido: quem lê adquire cultura, passa a escrever melhor, tem mais senso crítico, amplia o vocabulário e tem melhor desempenho escolar, dentre muitas outras vantagens.
Por isso, é importante ler e ter contato com obras literárias desde os primeiros meses de vida.
Mas como fazer com que crianças em fase de alfabetização se interessem pelos livros?
É verdade que, em meio a brinquedos cada vez mais lúdicos e cheios de recursos tecnológicos, essa não é uma tarefa fácil. Mas pequenas ações podem fazer a diferença. O comportamento da família influencia diretamente os hábitos da criança.
 Se os pais leem muito, a tendência natural é que a criança também adquira o gosto pelos livros.
Para seduzir pela leitura, há diversas atividades que os pais e outros familiares podem colocar em prática com a criança e, assim, fazer do ato de ler um momento divertido.
No período da alfabetização - antes dela e um pouco depois também -, especialistas sugerem que se misture a leitura com brincadeira, fazendo, por exemplo, representações da história lida, incentivando a criança a criar os próprios livros e pedindo a ela que ilustre uma história.
Para encantar as crianças pequenas, é essencial brincar com o livro.
Dicas para incentivar o seu filho a ler, e a ser um pequeno grande leitor:

Nada será como antes - Milton Nascimento e Ronaldo Bastos

Resumo: Música de 1971, que foi liberada pela censura mesmo contendo versos como: “Que notícias me dão dos amigos? Que notícias me dão de você?”. A canção faz clara referência às pessoas exiladas e que não podiam voltar ao próprio país pois seriam presas pelo regime militar.
Milton Nascimento canta "nada será com antes", show acústico na Suíça, 1980, acompanhado de Wagner Tiso
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29/07/2012

HAICAI - Lena Jesus Ponte

Porta entreaberta.
Um vento assalta papéis
e rouba poesias.

Constatação Metafísica - Marina Colasanti

Jogo o tempo
na água
E ele
nada!

Chico Buarque - Tanto Mar

A letra é vetada por supostamente trazer conteúdo de cunho político. Segundo a censora, o autor refere-se à Revolução Socialista de Portugal. Ao se referir às menções de Chico, a censora chega a classificar a obra como “ridícula”.
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Conto: "O papagaio real"

Quem tudo quer - tudo ganha!
Duas irmãs moravam juntas, mas a mais velha era muito boa e a mais nova, maldizente e preguiçosa. Várias noites seguidas, a mais nova escutou um barulho de asas e depois a voz de um homem no quarto da sua irmã. Achou aquilo muito esquisito. Certa noite resolveu espiar pelo buraco da fechadura. Viu, no meio do quarto, uma bacia cheia de água.
Quando bateu a meia-noite, chegou à janela um papagaio enorme e muito bonito. A ave voou para dentro do quarto, entrou na bacia e sacudiu-se, espalhando água para todos os lados. Cada gota que caía se transformava numa moeda de ouro e, quando o banho terminou, o papagaio tinha se transformado no príncipe mais formoso do mundo. Ele se sentou do lado da irmã mais velha, tomou sua mão e os dois começaram a namorar.
Louca de inveja, a irmã mais nova resolveu acabar com aquela história no dia seguinte. À tarde, quando a irmã não estava, encheu o peitoril da janela e a bacia com cacos de vidro que eram invisíveis de tão transparentes. À noite, o papagaio chegou e, batendo asas no peitoril, cortou-se todo. Voou para a bacia e cortou-se mais ainda. O papagaio não virou príncipe, arrastou-se até a janela e disse para a moça, assustada com o que sucedera:
– Ingrata! Agora, se quiseres me ver, só no reino de Acelóis.
Batendo as asas ensanguentadas, desapareceu. A moça quase se acabou de tanto chorar. Brigou muito com a irmã invejosa e deixou a casa, decidida a procurar o noivo mundo afora. Andou por muitos lugares. Empregou-se como criada nas casas, só para perguntar onde ficava o reino de Acelóis. Ninguém sabia ensinar e a moça foi ficando desanimada.
Depois de muito viajar, viu-se perdida numa floresta. Com a chegada da noite, resolveu subir numa árvore para descansar. Foi aí que viu algumas aves conversando e ficou sabendo que uma delas seguia justamente para o reino de Acelóis. O príncipe estava muito doente. Para curá-lo era preciso dar-lhe de beber três gotas de sangue do dedo mindinho de uma mulher que quisesse dar a vida por ele.
Na manhã seguinte, a moça prestou atenção na direção que a ave seguia e pôs o pé na estrada. Quando o sol se punha, avistou o reino de Acelóis. Pediu abrigo na casa de uma família de camponeses e, ali, ficou sabendo das novidades. O príncipe continuava doente e o pássaro que descobrira o modo de curá-lo havia sido morto por um gavião quando chegava perto do palácio real.
No outro dia, a moça saiu à procura do rei, o qual já recebia qualquer pessoa que lhe prometesse salvar seu filho, o príncipe. A moça lhe disse, então:
– Posso curar o príncipe, se Vossa Majestade me der, de tinta e papel passado, a metade do reino e de tudo que lhe pertencer.
A contragosto, o rei aceitou a proposta. A moça foi para o quarto do príncipe, furou o dedo mindinho e derramou três gotas de sangue nos lábios do doente. Assim que as engoliu, o príncipe abriu os olhos e levantou-se da cama. Quase não acreditou, ao reconhecer sua salvadora. Foi, então, falar com o pai. Disse que aquela era sua verdadeira noiva desde quando ele estava encantado em um papagaio real. Queria se casar com ela. O rei não gostou, pois não se tratava de uma princesa. Negou seu consentimento.
– Vossa majestade me deu a metade de tudo que lhe pertence – disse a moça, exibindo seu contrato. – Se não posso me casar com o príncipe, vou cortá-lo ao meio e levar a metade comigo.
Ao ouvir falar em cortar o príncipe pelo meio, o rei voltou atrás e deu seu consentimento. Os dois se casaram e foram felizes para sempre.
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
Fonte

28/07/2012

Duas vidas - Luis Fernando Veríssimo

Clarice_por_De_Chirico
Há dias escrevi sobre um retrato da Clarice Lispector pintado por De Chirico, em Roma. O Paulo Gurgel Valente, filho da Clarice, e que tem o retrato, me lembrou que ela fala a respeito do quadro numa carta às suas irmãs Elisa e Tânia, que está no livro Correspondência editado há pouco. Na carta, Clarice comenta que as irmãs devem estar surpresas com a falta de referência ao fim da II Guerra Mundial num bilhete recente. Escreve: “Eu pensava que quando ela acabasse eu ficaria durante alguns dias zonza. O fato é que o ambiente influiu muito nisso. Aposto que no Brasil a alegria foi maior. Aqui não houve comemorações, senão o feriado, ontem: é que veio tão lentamente esse fim, o povo está tão cansado (sem falar que a Itália foi de algum modo vencida) que ninguém se emocionou demais”. E depois: “Eu estava posando para De Chirico quando o jornaleiro gritou “È finita la guerra!” Eu também dei um grito, o pintor parou, comentou-se a falta estranha de alegria da gente e continuou-se. Daqui a pouco eu perguntei se ele gostava de ter discípulos. Ele disse que sim e que pretendia ter quando a guerra acabasse… Eu disse: mas a guerra acabou! Em parte a frase dele vinha do hábito de repeti-la, e em parte do fato de não ter mesmo a impressão exata de um alívio”. No meio da carta, há um desabafo tipicamente claricense para as irmãs: “Sinto verdadeira sede de estar aí com vocês. A água que eu tenho encontrado por este mundo afora é muito suja, mesmo que seja champanhe. Estou preciosa, pelo que vejo…
Esse texto foi publicado na coluna do Luis Fernando Veríssimo em Zero Hora de 29 de janeiro deste ano. Quando li isso, pensei “uau”, eu queria ter vivido coisas assim como a Clarice. Claro que os anos de guerra não devem ter sido fáceis, mas falo desse convívio com artistas como De Chirico, ser pintada por ele! Acho esses nossos anos de uma pobreza intelectual e artística e ainda assim eu não tenho contato com os intelectuais e artistas de agora. Fiquei com inveja. Além de ter sido uma escritora reconhecidíssima, ainda viveu e viveu de perto coisas que são de uma época muito particular. 1 julho , 2009 in Arte, Divagações

Escrever, Humildade, Técnica

clarice-lispector-rosto
Clarice Lispector
"Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de… de quê? Procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse “estilo” (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave: é o de concepção. Quando falo em “humildade” refiro-me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade com técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente. Descobri este tipo de humildade, o que não deixa de ser uma forma engraçada de orgulho. Orgulho não é pecado, pelo menos não grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, com todo o atraso que erro dá à vida, faz perder muito tempo". Clarice Lispector
Poema de Carlos Drummond de Andrade, Visão de Clarice Lispector, na voz de Jacqueline Laurence.

27/07/2012

Seis contos curtos de Anthony de Mello


Contos curtos 6 anthony de mello 
As paredes que nos aprisionam são mentais, não reais.
urso
Um urso percorria constantemente, para cima e para baixo, os seis metros de comprimento da jaula.
Quando, ao fim de cinco anos, o tiraram da jaula, o urso continuou a percorrer, para cima e para baixo, os mesmos seis metros, como se ainda estivesse na jaula... … E estava... Para ele...


Nossos inimigos não são os que nos odeiam, mas aqueles que nós odiamos...
Suástica: cruz, encontrada em diversas tribos, que foi adotada por Hitler como símbolo do nazismo.
Um ex-presidiário de um campo de concentração nazi  foi visitar um amigo que havia compartilhado com ele tão penosa experiência.
”Já esqueceste os nazis?” perguntou ao seu amigo.
“Sim”, disse ele.
”Pois eu não. Ainda continuo a odiá-los com toda a minha alma.”
Seu amigo disse-lhe calmamente:
”Então… ainda te mantém prisioneiro”!!!

A maior parte das vezes, os defeitos que vemos nos outros são os nossos próprios defeitos
-“Perdoe-me, senhor”, disse o tímido estudante, “mas eu não fui capaz de decifrar o que me escreveu na margem do meu último exame...”
-“Eu te dizia que escrevesses de um modo mais legível”, respondeu-lhe o professor.

O poder do medo
Obra "O Grito", de Edvard Munch (1863-1944)
A Peste dirigia-se para Damasco e passou velozmente junto à tenda do chefe de uma caravana no deserto.
-“Aonde vais com tanta pressa?” Perguntou-lhe o chefe.
-“A Damasco. Penso cobrar um milhar de vidas.”
No regresso de Damasco, a Peste passou de novo junto à caravana.
Então, o chefe disse-lhe:
-“Eu já sei que cobraste 50.000 vidas, não o milhar que havias dito!.”
-“Não,” respondeu-lhe a Peste.
-“Eu só cobrei mil vidas.
As restantes levou-as o Medo.”

Felicidade
Crie sua própria felicidade
Dizia um velho que só se havia queixado uma vez, em toda a sua vida:
Foi quando ia com os pés descalços e não tinha dinheiro para comprar sapatos.
Então, viu um homem feliz que não tinha pés.
E nunca mais voltou a queixar-se.

Diógenes
Estava o filósofo Diógenes comendo lentilhas quando viu o filósofo Aristipo, que vivia, confortavelmente, com base em lisonjear o rei.
E Aristipo disse-lhe: “Se aprendesses a ser submisso ao rei, não terias que comer esse lixo de lentilhas".
Ao que Diógenes replicou: “Se tivesses aprendido a comer lentilhas, não terias que bajular o rei".

O QUE É LITERATURA?

Descobrir, explorar, aprender… E criar novos mundos, novas realidades – o céu não é o limite para aquele que lê!
Embora tenhamos informações em excesso a cada vez que “surfamos” no mundo virtual, a literatura apresenta a crianças, jovens e adultos um horizonte infinito em histórias, romances, poemas, contos, e muito mais.
Mas… o que é mesmo literatura? A palavra literatura vem do latim “litteris” que significa “letra”, que também quer dizer “escritos, cartas” e parece referir-se, primordialmente, à palavra escrita ou impressa. Em latim, literatura significa uma instrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem e se relaciona com as artes da gramática, da retórica e da poética. Segundo o crítico e historiador literário José Veríssimo, várias são as acepções do termo literatura: conjunto da produção intelectual humana escrita; conjunto de obras literárias; conjunto das obras sobre um dado assunto, ao que chamamos bibliografia de um assunto ou matéria; boas letras; e uma variedade de Arte, a arte literária.
Confira esse vídeo que aborda o tema literatura.
Trecho retirado do DVD
Literatura e outras Linguagens.
Atual Editora.
William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães.
Literatura Infantil foi o tema do nosso HEC desta semana. Refletimos que apesar de a literatura abrir portas e janelas para um universo fascinante de conhecimentos, curiosidades, modos diversos de ver o mundo, muitas crianças e jovens não se sentem motivadas a ler. Talvez isso seja um reflexo da leitura utilitária que por vezes se incentiva nas práticas pedagógicas escolares. Precisamos incentivar nos jovens a leitura prazerosa, em contraposição a uma pseudo-literatura que pretende “treinar” o aluno a responder um questionário a respeito da obra lida. Esse tipo de prática não desperta o gosto pela leitura, mas sim uma espécie de aversão a livros e literatura.

26/07/2012

Despedida - Geraldo Vandré e Geraldo Azevedo

despedida
Resumo: A música que fez sucesso há não muito tempo na voz de Geraldo Azevedo, após ser liberada ao final da ditadura militar, foi proibida de execução porque o censor encontrou – não se sabe onde – conteúdo político. A música, que ficou conhecida mais tarde como a “Canção da Despedida”, foi gravada em 1968 pela parceria de Vandré e Geraldo Azevedo, mas, impedida de ser executada, calou-se até Azevedo regravá-la em um dos discos da série “O Grande Encontro”.
Para saber mais: clique aqui
Geraldo Vandré (Geraldo Pedrosa de Araújo Dias)
Cantor. Compositor.
Foi o primeiro filho do casal José Vandregísilo e Maria Eugênia. Com gênio irrequieto, foi internado pelo pai no Colégio São José, em Nazaré da Mata, interior de Pernambuco. Desde tenra idade demonstrou interesse em cantar no rádio, tendo participado de diversos festivais de canto no colégio. Aos 14 anos, participou de um programa de calouros na Rádio Tabajara de João Pessoa. Em 1951, sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, o que contribuiu para sua entrada na carreira artística.
Geraldo Azevedo (Geraldo Azevedo de Amorim)
Compositor. Cantor. Violonista
Autodidata, com 12 anos de idade já estava tocando violão. Aos dezessete, começou a fazer parte do grupo Sambossa. Iniciou sua trajetória musical quando, aos 18 anos, mudou-se para o Recife, a fim de estudar. Na capital pernambucana, juntou-se ao grupo folclórico Grupo Construção, do qual faziam parte Teca Calazans, cantora, Naná Vasconcelos, percussionista e Marcelo Melo e Toinho Alves, músicos do Quinteto Violado.

Passaredo - Chico Buarque

Resumo: A título de curiosidade trazemos ao visitante o documento da popular música de Chico Buarque, “Passaredo”. A canção que lembra diversos nomes de pássaros possui dois trechos – sublinhados pelo censor – onde o autor diz: “Bico calado, toma cuidado que o homem vem aí.” Mesmo tendo chamado a atenção do técnico de censura, a música foi liberada para execução.
Para saber mais: clique aqui
Chico Buarque (Francisco Buarque de Hollanda)
Compositor/Cantor/Escritor
Filho do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e de Maria Amélia Buarque de Hollanda. Em 1946, aos dois anos de idade, mudou-se com sua família para São Paulo. Por ter nascido em uma família de intelectuais, afirmava que "as paredes lá de casa viviam cobertas de livros". Desde cedo conviveu com diversos artistas, amigos de seus pais e da irmã Heloísa, entre os quais, João Gilberto, Vinicius de Moraes, Baden Powell, Tom Jobim, Alaíde Costa e Oscar Castro Neves. 

24/07/2012

O GOVERNO MILITAR NO BRASIL E A INFLUÊNCIA DA MÚSICA

Durante o regime, a censura à produção cultural passa a perseguir qualquer ideia que fosse contrária aos interesses dos militares – mesmo aquela que não tivesse conteúdo diretamente político. Atinge, em cheio, o teatro, o cinema, a literatura, a imprensa e a música.
Nadando contra a maré, o cenário artístico cresce e se profissionaliza. Grandes festivais ascendem com suas músicas de protesto, de veia nacionalista. Os órgãos censores, porém, não se interessam por divergências estéticas ou ideológicas. Ações são intensificadas e tomam forma nada flexível.
Censura na ditadura
Com o País nas mãos, os militares implantam um projeto repressivo composto por um forte esquema de informações intragoverno. No artigo Prezada Censura: cartas ao regime militar, o historiador Carlos Fico explica esse plano com base no conteúdo da sequência de atos: “O grupo militar conseguiu impor, ainda durante o governo de Castello Branco, o Ato Institucional n. 2, que reabriu a temporada de punições (o primeiro ato institucional permitiu punições por pouco tempo). Mas foi a subida de Costa e Silva à Presidência da República, e o AI-5, que indicaram a vitória indiscutível da linha dura”.
É importante, no entanto, ressaltar que a censura musical, inserida no setor com a denominação de Divisão de Censura de Diversões Públicas, não é algo novo. “Desde o Estado Novo a censura prévia vigiava de perto a música popular. Canções de teor político só eram divulgadas pelo rádio quando elogiosas ao Estado”, afirma Carlos Fico no mesmo artigo.
A censura à música está diretamente ligada à tradição dos bons costumes, calcada em torno de valores conservadores e, por isso, condenando veementemente o obsceno e o pornográfico. Além do cunho moral, há um olhar crítico para supostas ideias tendenciosas sobre o âmbito político.
Odette Lanziotti, ex-técnica de censura, relata que o Departamento de Censura designava certos censores para acompanhar as criações de determinados compositores. “Existiam censores mais específicos para determinados autores, para analisar as canções políticas”.
Processo de aprovação
O processo de aprovação das músicas tinha como passo inicial o envio da letra à DCDP, por parte da gravadora ou do próprio artista. Caso a música não fosse liberada, a gravadora poderia recorrer em grau de recurso que seria julgado pelos censores de Brasília, onde a divisão se concentrava inicialmente.
Mais tarde, a demanda mudou, como explica a ex-técnica de censura Odette Lanziotti: “A censura no início ficou concentrada em Brasília mas, depois, com o aumento do trabalho, houve a necessidade de criar um departamento também no Rio”.
Embora na maioria das vezes influenciada por percepções particulares, as decisões seguiam uma ‘lógica’ interna. “Os censores tinham que tomar muito cuidado com as orientações dos chefes, que distribuíam as músicas. Ás vezes a recomendação era para prestar mais atenção na política, no duplo sentido. Em outras era para ficar atento na preservação da moral e dos bons costumes”, relata a ex-técnica de censura.
Partido alto - Chico Buarque
Chico canta "Partido Alto" em show para a TV Francesa.
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Histórias para ler e pensar - O Senhor Palha - Conto japonês



Generosidade
Sempre que ajudares alguém, procura passar despercebido.
Quanto menos te evidenciares, mais a tua ajuda terá valor.

Era uma vez, há muitos e muitos anos, é claro, porque as melhores histórias passam-se sempre há muitos e muitos anos, um homem chamado Senhor Palha. Ele não tinha casa, nem mulher, nem filhos. Para dizer a verdade, só tinha a roupa do corpo. Ora o Senhor Palha não tinha sorte. Era tão pobre que mal tinha para comer e era magrinho como um fiapo de palha. Era por esse motivo que as pessoas lhe chamavam Senhor Palha.

Todos os dias o Senhor Palha ia ao templo pedir à Deusa da Fortuna que melhorasse a sua sorte, mas nada acontecia. Até que um dia, ele ouviu uma voz sussurrar:

23/07/2012

SETE CAMUNDONGOS CEGOS - Ed Young

SETE CAMUNDONGOS CEGOS
As ilustrações de Ed Young, feitas com colagem de papel, captam com maestria o humor e o espírito desta história baseada na antiga fábula "Os cegos e o elefante".
elefante
Fábula Indiana dos Cegos e o Elefante
Certo dia, um príncipe indiano mandou chamar um grupo de cegos de nascença e os reuniu no pátio do palácio. Ao mesmo tempo, mandou trazer um elefante e o colocou diante do grupo.

PARTIDA E CHEGADA


22/07/2012

Maria Vai com as Outras - Sylvia Orthof


Sinopse:
A ovelha Maria era mesmo uma maria-vai-com-as-outras. Até o dia em que descobriu que cada um pode ter o seu próprio caminho, basta querer. Considerado altamente recomendável para a criança pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
Acompanhe os entrevistados relembrando momentos da vida de alguns de seus amigos e colegas de profissão que já faleceram.
Este vídeo faz parte do projeto "Memórias da Literatura Infantil e Juvenil", desenvolvido pelo Museu da Pessoa. Nesse projeto, escritores, ilustradores, críticos literários e editores contam algumas histórias de suas vidas. Infância, livros, carreira entre outros... São alguns dos temas presentes nas lembranças de nossos entrevistados.

21/07/2012

Educação, o desafio da qualidade - Ensino Fundamental


Série "Educação, o desafio da qualidade", do Jornal Nacional (TV Globo), exibida de 09 a 13 de maio de 2011.
Para consultar o índice do IDEB da nossa cidade e das nossas escolas: clique aqui


As janelas douradas - Histórias para ler e pensar


Delicadeza
Deves tratar as pessoas com delicadeza, de contrário elas afastar-se-ão de ti.
Lembra-te sempre: um pequeno gesto afetuoso pode ter um grande significado.
O menino trabalhava arduamente durante todo o dia, no campo, no estábulo e no armazém, pois os pais eram fazendeiros pobres e não podiam pagar a um ajudante. Mas, quando o sol se punha, o pai deixava-lhe aquela hora só para ele. O menino subia ao alto de um morro e ficava a olhar para um outro morro, distante alguns quilômetros. Nesse morro, via uma casa com janelas de ouro e de diamantes. As janelas brilhavam e reluziam tanto que ele era obrigado a piscar os olhos. Mas, pouco depois, ao que parecia, as pessoas da casa fechavam as janelas por fora, e então a casa ficava igual a qualquer outra casa. O menino achava que faziam isso por ser hora de jantar; então voltava para casa, jantava e ia deitar-se. Um dia, o pai do menino chamou-o e disse-lhe:

20/07/2012

A MENINA QUE ODIAVA LIVROS - MANJUSHA PAWAGI


ameninaqueodiavalivros [Infanto Juvenil] A Menina que odiava livros   Manjusha Pawagi e Jeanne Franson   Lançamento PDL

Era uma vez uma menina chamada Mina. Se, num livro, procurassem o significado do seu nome, descobririam que significa «peixe» em antigo sânscrito. Mas Mina não sabia, porque nunca procurava o significado de nada em lado nenhum. Mina detestava ler e detestava livros.


Livro Contado na CRESCER - Marcelino Pedregulho por Cia Truks





Título do Livro

O garoto tem a cara vermelha, mas não está ruborizado. Também não está resfriado. Também não pegou friagem no rosto. Não há nada de errado com o menino; ele apenas tem a cara vermelha, assim como seu melhor amigo espirra o tempo todo sem explicação razoável.

19/07/2012

Vida de Educador

Educador
Educa a dor da falta
a dor cognitiva
Educando a busca de conhecimento.

Educador
Educa a dor do limite
a dor afetiva
Educando o desejo.

Educador
Educa a dor da frusração
a dor da perda
Educando o humano, na sua capacidade de amar.

Educador
Educa a dor do diferenciar-se
a dor da individuação
Educando a autonomia.

Educador
Educa a dor da imprevisão
a dor do incontrolável
Educando o entusiasmo da criação.

FREIRE, Madalena. Educador, educa a dor. São Paulo: Paz e Terra, 2008.

Fora da ordem

Da manhã à noite, usamos as palavras buscando dominar seus sentidos, para submetê-las aos fins práticos da comunicação em casa, no trabalho, na rua. Queremos, apenas, que elas sirvam ao que pretendemos dizer. Que evitem causar surpresas a ouvintes ou leitores e garantam o recebimento da mensagem com o menor risco de ambiguidade. Que funcionem, sejam úteis, mas sejam também modestas, transparentes, e não atraiam a atenção sobre si. Chega uma hora, no entanto, em que as palavras se rebelam. Gritam todas: “Olhem pra mim!”. E passam a mostrar-se em composições diferentes daquelas em que surgem todos os dias. Nada de recato. Elas se exibem. Em lugar de diminuir os sentidos, passam a esbanjá-los. Elas brincam, desordenam, exageram, rompem com as convenções. Dizem o que, de hábito, não costumam dizer. Quando isso ocorrer, preste atenção, porque é possível que as palavras estejam em estado de poesia. Você já viu acontecer muitas vezes. Já encontrou essas palavras em páginas de livros, na tela do computador, em demonstração da força expressiva que elas contêm. Se recorrer à memória, vai lembrar. Poderá, então, dizer, para si ou para outro, não importa, qual manifestação poética foi, em sua vida, a mais marcante. Pode ter sido um único verso ou uma estrofe. Um poema inteiro, talvez.
Lígia Cademartori é doutora em Teoria da Literatura. Foi professora do Curso de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Brasília (UnB). Como conferencista, participou de congressos na Universidade de Lisboa, em Portugal, e na Universidade de Tulane, nos Estados Unidos. Tem participado como jurada, do Prêmio Jabuti – Câmara Brasileira do Livro – e de comissões de seleção de livros de literatura do PNBE/MEC 2005 e 2007 e de vários outros concursos literários. Faz crítica literária no suplemento “Pensar” do Correio Braziliense.

Milton Viola Fernandes (Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1923 — 27 de março de 2012), mais conhecido como Millôr Fernandes, foi um desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, tradutor e jornalista brasileiro.
Começou a trabalhar ainda jovem na redação da revista O Cruzeiro, iniciando precocemente uma trajetória pela imprensa brasileira que deixaria sua marca nos principais veículos de comunicação do país. Em seus mais de 70 anos de carreira produziu prolífica e diversificadamente, estendendo sua criatividade ao jornalismo, literatura, artes, teatro, cinema e até ao esporte. Em seus trabalhos costumava valer-se do humor para criticar o poder e as forças dominantes, sendo em consequência confrontado constantemente pela censura. Dono de um estilo singular, era visto como figura desbravadora no panorama cultural brasileiro: no teatro, por exemplo, empreendeu uma revolução no campo da tradução de peças, tanta era diversidade e a personalidade que impunha aos trabalhos – características que se manifestavam também em suas incursões como autor, artista plástico, jornalista e pensador.
Com a saúde fragilizada após sofrer um acidente vascular cerebral no começo de 2011, morreu em março de 2012, aos 88 anos. fonte

 

18/07/2012

Inclusão escolar – A criança com a Síndrome de Down, pais e a escola

Por Fernanda Travassos Rodriguez (fonte: sentidos)
Psicóloga e terapeuta de família fala sobre a pessoas com Síndrome de Down, dos pais e da escola.
Uma das maiores aflições que envolvem os pais de crianças com Síndrome de Down consiste no desenvolvimento do potencial cognitivo da criança, visto que esta síndrome traz como consequência uma deficiência intelectual. Em função disto, a entrada dos filhos na escola, tanto na educação infantil, quanto no ensino fundamental, representam momentos marcantes para os seus pais.
Estes dois momentos são distintos e geram ansiedades específicas. A entrada da criança na pré-escola suscita nos pais temores ligados a sua adaptação e proteção, visto que ela sairia do seu ambiente e teria que enfrentar a "vida como ela é" do lado de fora. Em contrapartida, sabemos que a entrada, da criança com Síndrome de Down, na educação infantil regular é muito positiva, principalmente quando a inclusão é bem feita, pois a sua socialização começa a se dar de maneira muito fluida. Por exemplo, ela terá que brigar pelos brinquedos e tentar se expressar, nas mesmas condições das crianças consideradas "normais" e isto ajuda muito no seu desenvolvimento, principalmente no que diz respeito a cognição, a linguagem, as habilidades motoras e a socialização. Acreditamos que colocar uma criança com Síndrome de Down em uma escola regular é dar-lhe a mesma chance que todas as crianças têm de desenvolver o seu potencial cognitivo e sócio-afetivo.
 
No entanto, quando o aluno com Síndrome de Down, sai do segmento da educação infantil e entra no ensino fundamental, começam a surgir novas questões que sensibilizam pais e educadores. Isto porque com o passar dos anos a deficiência intelectual fica mais evidente e, por mais estimulada que a criança tenha sido, ela irá enfrentar alguns obstáculos na fase do ensino formal, como, por exemplo, na alfabetização. O que acontece é que as funções cognitivas da pessoa com Síndrome de Down podem funcionar de maneira diferente, sua atenção, concentração e memória podem ter um outro timing das crianças consideradas "normais". Neste momento, muitos pais ficam em dúvida entre a escola de ensino regular e a escola especial. Consideramos importante também salientar que o nosso modelo de educação tem um padrão que não contribui muito para a inclusão. Com frequência, percebemos boas experiências de inclusão em escolas consideradas "alternativas", são as escolas construtivistas, as montessorianas, e outras. fonte
"Podemos afirmar que algumas escolas públicas (como a nossa, por exemplo) têm tido uma grande preocupação com a inclusão de todas as crianças que apresentam necessidades educacionais especiais e devido a isso temos obtido resultados bastante positivos. Claro que isso não se faz sozinho, nossos parceiros nos ajudam muito nessa caminhada e conquista diária".
"Somos diferentes, mas não queremos ser transformados em desiguais. As nossas vidas só precisam ser acrescidas de recursos especiais". (Peça de teatro: Vozes da Consciência, BH)