Licensa

15/05/2012

Elegância - Toulouse Lautrec

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. 
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. 
É uma elegância desobrigada. 
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. 
Nas pessoas que escutam. E quando falam, não ficam a julgar sentindo-se o "dono da verdade". 
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas. 
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. 
É possível detectá-la em pessoas pontuais. 
Em pessoas que sabem que os mais velhos, muitas vezes, são rabujentos e mesmo assim o tratam com a deferência que merecem. 
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está. 
Oferecer flores é sempre elegante. 
É elegante não ficar espaçoso demais. 
É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... 
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. 
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. 
É elegante retribuir carinho e solidariedade. 
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.... 
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. 
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. 
É elegante a gentileza; atitudes gentis falam mais que mil imagens... 
Abrir a porta para alguém? É muito elegante. 
Dar o lugar para alguém sentar? É muito elegante. 
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma... 
Oferecer ajuda? Muito elegante. 
Olhar nos olhos ao conversar? Essencialmente elegante. 
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. 
A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que "com amigo não tem que ter estas frescuras". Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la. 
Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura. É a elegância do comportamento...
Garça - Manoel de Barros
A palavra garça em meu perceber é bela.
Não seja só pela elegância da ave.
Há também a beleza letral.
O corpo sônico da palavra
E o corpo níveo da ave
Se comungam.
Não sei se passo por tantã dizendo isso.
Olhando a garça-ave e a palavra garça
Sofro uma espécie de encantamento poético.

2 comentários:

  1. Lindo............. Refresco para minha alma.
    Adorei e sei que preciso aprender muiiiiiiiito!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Todos nós precisamos aprender.... sempre....
      Adoro textos que me fazem refletir.... repensar...
      Vejo que você também gosta... que bom...
      Amo ter interlocutores....
      Obrigado pela visita!!!
      Beijos
      Rose

      Excluir