Licensa

29/02/2012

O Encontro Marcado - Fernando Sabino

De tudo ficaram três coisas:

A certeza de que estamos sempre começando,
A certeza de que é preciso continuar
E a certeza de que podemos
ser interrompidos antes de terminar.

(Portanto, devemos:)

Fazer da interrupção um caminho novo,
Fazer da queda um passo de dança...
do medo, uma escada
do sonho, uma ponte
da procura, um encontro.

(E assim terá valido a pena existir!)
Com carinho para minha amiga Rosani.

Inversão de valores

Uma inédita pesquisa qualitativa, feita em São Paulo com 5 000 alunos entre 15 e 18 anos, traçou um infeliz cenário para o ensino: na definição desses estudantes, ser bom aluno é, basicamente, motivo de profunda vergonha – raramente de orgulho. Por causa disso, muitos deles negligenciam as tarefas de casa e se afastam dos livros. O objetivo é camuflar talentos e aptidões, justamente pelos quais os jovens temem hoje se destacar. No grupo de alunos sobre o qual o novo estudo lança luz, há relatos impressionantes, como o de um jovem que, depois de uma série de notas dez, decidiu, propositadamente, cravar um zero. Queria assim ser aceito entre os colegas, que sempre o excluíam. Conseguiu. Diz o filósofo Carlos Roberto Merlin, que conduziu a pesquisa: “São exceção aqueles bons estudantes que seguem dedicados à atividade intelectual, mesmo sendo repreendidos pelos colegas. Eles têm pavor de serem taxados de nerd.” 
O quadro pintado na pesquisa reforça algo antigo no país: ainda que contabilizados recentes avanços, a educação continua a ser um valor secundário, quando não desprezível – como bem retrata o estudo. Isso se percebe de outros pontos de vista. Um deles é o lugar que a educação ocupa entre as prioridades dos brasileiros – quarto ou quinto, dependendo de quem dá o número – atrás do pagamento de dívidas e da compra de um carro novo. Também reforça a ideia de que as questões de sala de aula não estão no centro das preocupações o fato de a avaliação de pais, professores e estudantes sobre o ensino no país ser a melhor possível. Isso quando ele figura entre os piores do mundo. Clara evidência da falta de atenção que se dá ao assunto. 
É bom lembrar que em países de bom ensino, como a Coréia do Sul, ninguém tem vergonha de ser bom na academia. Ao contrário. As aptidões de cada um são cultivadas e exibidas desde muito cedo, na escola e em casa. Os holofotes estão sempre sobre aqueles jovens que revelam brilhantismo e talentos raros. Esses são vistos com admiração – exemplos a ser seguidos. O Brasil está, infelizmente, na contramão. Basta olhar para os rankings internacionais de ensino para saber quem está certo. 
Foto: Arquivo / Veja
Inversão dos Valores
Não faz muito tempo, que os pais ou avós ensinavam que os homens deviam ser cavalheiros com as mulheres, ou que as pessoas deviam se respeitar. Havia o conceito de que era fundamental ao ser humano a generosidade e cordialidade, no entanto, hoje, qualquer um está sujeito a ser interpretado como antiquado ou ultrapassado se assim o fizer.
Quando alguém é notado em ações de bondade, é definido como pateta e alguém que age maldosamente, por vezes recebe aplausos, teremos, com certeza, um prognóstico de que a sociedade caminha a passos largos para um mundo amoral e repleto de conflitos.
Todos os problemas da inversão de valores apontados, refletem diretamente na convivência de qualquer grupo social. Notar-se-á na família, filhos que não respeitam os pais, e se o fizerem , serão até criticados pelos seus amigos. Teremos casais sem princípios essenciais a uma convivência duradoura e saudável. Não haverá renúncia, compreensão e bem-estar entre cônjuges, pois o homem que renunciar será tido por "dominado" e a mulher se o fizer será titulada por "Amélia".
O bom funcionário será "puxa-saco" e o negligente será exemplar. O cônjuge infiel será bem-visto e o fiel será subestimado.
Os valores são violentados todos os dias por diversos meios e atitudes nos relacionamentos. A todo o momento as pessoas são reprimidas por agirem com cordialidade e simultaneamente incentivadas a transgredirem os princípios morais.
Fica fácil entender por que Rui Barbosa disse: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".
Não se pode ignorar a grande influência dos meios de comunicação na divulgação das contravenções e a quebra de princípios como comportamento modelo.
É patente, em atuações de novelas e filmes, os maus receberem simpatia e os bons serem ridicularizados. Em Hollywood, os viciados e foras-da-lei são alvos de apreço e como mencionado anteriormente, em reality-shows os bad-boys são favoritos a vencedores.
Dependerá dos líderes, oradores, conselheiros, escritores e agentes de posições similares, propagar os bons conceitos e incutir o repúdio à má conduta, bem como reconhecer com apreço os bons costumes.
A inversão de valores compromete o convívio social e deve ser combatida com rigor por meio de pessoas comprometidas com o desenvolvimento humano e o progresso social.

28/02/2012

Preconceito? Vamos lutar contra!!!

Educação não tem cor
Com discussões e projetos bem elaborados, é possível combater o preconceito racial que existe, sim, na escola. Está nas suas mãos, professor, o sucesso dessas crianças, negras e brancas, como alunas e cidadãs. 
Para ver o texto na íntegra: clique aqui

A LUTA CONTRA O PRECONCEITO NÃO DEVE SER UM ATO E SIM UM HÁBITO.
Para ver o texto na íntegra: clique aqui
Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Albert Einstein

Prefiro ser um homem de paradoxos que um homem de preconceitos. Jean Jacques Rousseau
Muitas pessoas pensam que estão a pensar quando estão apenas a re-arrumar os seus preconceitos. William James
Preconceito é uma postura ou ideia pré-concebida, uma atitude de alienação a tudo aquilo que foge dos “padrões” de uma sociedade. As principais formas são: preconceito racial, social e sexual. 
O preconceito racial é caracterizado pela convicção da existência de indivíduos com características físicas hereditárias, determinados traços de caráter e inteligência e manifestações culturais superiores a outros pertencentes a etnias diferentes. O preconceito racial, ou racismo, é uma violação aos direitos humanos, visto que fora utilizado para justificar a escravidão, o domínio de alguns povos sobre outros e as atrocidades que ocorreram ao longo da história. 
Nas sociedades, o preconceito é desenvolvido a partir da busca, por parte das pessoas preconceituosas, em tentar localizar naquelas vítimas do preconceito o que lhes “faltam” para serem semelhantes à grande maioria. Podemos citar o exemplo da civilização grega, onde o bárbaro (estrangeiro) era o que "transgredia" toda a lei e costumes da época. Atualmente, um exemplo claro de discriminação e preconceito social é a existência de favelas e condomínios fechados tão próximos fisicamente e tão longes socialmente. Outra forma de preconceito muito comum é o sexual, o qual é baseado na discriminação devido à orientação sexual de cada indivíduo. 
O preconceito leva à discriminação, à marginalização e à violência, uma vez que é baseado unicamente nas aparências e na empatia.
Por Tiago Dantas
O que o cabelo fez para ser chamado de ruim?

A GAIOLA
M. DO CARMO MELO.
E era a gaiola e era a vida era a gaiola
E era o muro a cerca e o preconceito
E era o filho a família e a aliança
E era a grade a filha e era o conceito
E era o relógio o horário o apontamento
E era o estatuto a lei e o mandamento
E a tabuleta dizendo é proibido.

E era a vida era o mundo e era a gaiola
E era a casa o nome a vestimenta
E era o imposto o aluguel a ferramenta
E era o orgulho e o coração fechado
E o sentimento trancado a cadeado.
E era o amor e o desamor e o medo de magoar
E eram os laços e o sinal de não passar.
E era a vida era a vida o mundo e a gaiola
E era a vida e a vida era a gaiola.

27/02/2012

Literatura infantil e Inclusão.

DAS UTOPIAS
MÁRIO QUINTANA
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é o motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!


Literatura infantil e Inclusão.
(...) As crianças necessitam ler histórias que as levem para um outro mundo, um mundo mágico, literalmente fabuloso. Assim ler um conto para as crianças é dar-lhes condições de se tornarem adultos mais seguros dos seus sentimentos, pois o imaginário infantil se enriquece muito com estes contos da tradição literária, que de acordo com Lajolo exerce a seguinte função: 
Os textos que a tradição reserva o nome de literatura, embora nascendo de uma elite e a ela dirigidos, não costumam confirmar-se às rodas que detêm poder. Transbordam daí e, como pedra lançada às águas, seus últimos círculos vão atingir as margens, ou quase. Seus efeitos, a inquietação que provocam, podem repercutir em camadas mais marginalizadas, mais distantes dos círculos da cultura. (LAJOLO, 1982: 64) 
Portanto, o texto literário educa para incluir, porque a grande diversidade de linguagens simbólicas e também as vastas características e qualidades encontradas nos vários personagens ficcionais disponibilizam à criança leitora o conhecimento das muitas realidades humanas. E tais enunciados fundamentam de que a literatura tem uma importante função social, que é educar, consciencializar e incluir. Caldin (2003), afirma que a função social da literatura é facilitar ao homem compreender – e assim, emancipar-se – dos grandes dogmas que a sociedade lhe impõe. […] Dessa maneira, as histórias contemporâneas, ao apresentarem as dúvidas da criança em relação ao mundo em que vive, abrem espaço para o questionamento e a reflexão, provenientes da leitura. (CALDIN, 2003: 5) 
A leitura da literatura infantil também atua como uma possibilidade dos educandos vivenciarem novas experiências, podendo agir como um protagonista destas histórias e, assim, ganhar experiências e autonomia, ser ele próprio. Ao pensarmos em um trabalho consciente e crítico, voltado para a educação/inclusão para crianças com necessidades especiais, buscamos relatos de alguns estudiosos que privilegiam a literatura como um recurso fundamental e facilitador. (...)
Ao atuar como uma necessidade básica para a formação da criança e garantir uma experiência fundamental da existência humana, este tipo de narrativa é um rico recurso na remoção de representações sociais relacionadas com a deficiência e com a diferença, porque a Literatura infantil pode ser o cerne da construção de uma educação inclusiva, pois operando a partir de sugestões fornecidas pela fantasia e imaginação, socializa formas que permitem a compreensão dos problemas e demonstra-se como ponto de partida para o conhecimento real e a adoção de uma atitude que valorize as diferenças e as particularidades (ZARDO; FREITAS, 2004: 2) 
Jabur (2003) por meio de sua pesquisa nos afirma que assim como nosso corpo necessita de comida, nosso espírito precisa de leitura e que esta deve ser considerada como uma das necessidades básicas para a formação da criança por garantir uma experiência fundamental da existência humana. O pesquisador faz assim a relação da literatura com os direitos humanos. (...)
A BUSCA PELA IDENTIFICAÇÃO E TOMADA DE CONSCIÊNCIA EM A BOLSA AMARELA: COMPREENDENDO AS DIFERENÇAS 

A obra selecionada para análise, A Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga, publicada em 1976, é uma das muitas obras desta autora que se identifica com o publico infanto-juvenil e contém um discurso que não subestima a capacidade de leitura das crianças.
Em suas narrativas há um respeito pela experiência vivida e mesmo quando a fantasia toma conta do enredo, nunca é construída para alienar, mas sim para resgatar experiências, fazendo com que a criança leitora compreenda as situações e aprenda a lidar com elas.
A linguagem utilizada na narrativa concede trocas à criança leitora, que com os elementos fantásticos da obra, a compreensão e a influência por ela abstraída, se equivalem a um momento de prazer.
A Bolsa Amarela é um dos mais premiados e populares livros infanto-juvenis brasileiros, que conta a divertida história de Raquel, a filha mais nova da família, uma menina atenta a tudo o que se passa ao seu redor. Seus irmãos, com a diferença de idade de dez anos, não lhe davam atenção e importância às coisas que Raquel queria compartilhar, porque achavam que criança não sabe coisa alguma.
A protagonista, por se sentir muito só e excluída, começa a escrever para seus amigos imaginários e compartilhava três grandes desejos: ser um garoto, vontade de crescer e de ser uma escritora. Um dia, ganhou uma bolsa amarela, que passou a ser o esconderijo ideal para suas vontades e fantasias. A bolsa amarela acaba sendo a casa de dois galos, um guarda-chuva-mulher, um alfinete de segurança, o refúgio de seus pensamentos e também as histórias criadas pela narradora. Raquel, através de suas histórias, conta-nos fatos do seu quotidiano, juntando o mundo real da família ao mundo criado por sua imaginação, repleto de amigos secretos e fantasias. Ao mesmo tempo que acontecem fatos reais e fantásticos, uma aventura espiritual se processa, e a protagonista vai ao encontro de sua afirmação como pessoa. 
Um outro sentimento explorado na obra é o da exclusão, pois Raquel sentia-se completamente excluída de sua família, sentia-se rejeitada, por não ter sido um filho programado, desencadeando-lhe o sentimento de rejeição. Raquel, ao escrever para um dos seus amigos imaginários, “Tô sobrando […] Já nasci sobrando […] Mas se ela [a mãe] não queria mais ter filho, por que é que eu nasci? […] a gente só deveria nascer quando a mãe quer a gente nascendo […] (BOJUNGA, 1995: 13), deixa-nos claro e evidente este sentimento de carência e exclusão no seu próprio ambiente familiar. 
A falta de atenção e carinho que muitas crianças sofrem também é identificada através da personagem Raquel que compartilha novamente com um dos seus amigos imaginários, porém, desta vez, o sentimento de solidão. A solidão impulsiona Raquel a inventar estes amigos, para assim, compartilhar dentre outros conflitos interiores, a sua carência: “Prezado André, ando querendo bater papo. Mas ninguém tá a fim. Eles dizem que não tem tempo. Mas, ficam vendo televisão […] ” (BOJUNGA, 1995: 12).(...)
Através da vivência de Raquel é sublinhado outro tema proporcionando reflexão: o preconceito contra a mulher ditado pelos adultos. (...) O conflito familiar também destacado e vivenciado por Raquel é hoje muito comum na realidade da vida de muitas crianças. (...)
A autora, portanto, propõe à crianças leitoras, através de sua narrativa do realismo maravilhoso vários temas, entre eles, o preconceito, a indiferença e as diferenças, falando da vida e de como é possível viver e transformar em experiência as várias situações que se absorvem ao quotidiano de quem está no mundo. 
Lygia Bojunga Nunes se utiliza do olhar da criança e do jovem em suas narrativas e, a partir do ponto de vista dos mesmos, é que a vida se desenvolve através da experiência que se pode (re) tirar dela própria. (...)
Lygia Bojunga - Entrelinhas (11/03/2011)
Ganhadora do Hans Christian Andersen (prêmio internacional da literatura infanto-juvenil) e autora de A bolsa amarela (que já se tornou um clássico da literatura brasileira), Lygia Bojunga conversa sobre sua obra e sobre seu trabalho como atriz.
Para ver texto na íntegra: clique aqui

26/02/2012

Homenagem ao meu "PAI"

Hoje meu "PAI" faria 75 anos se estivesse vivo! Já fui a Missa, rezei por ele (mais do que costumo fazer, como uma forma de tentar acalmar meu coração e de me sentir mais próxima a ele). Resolvi compartilhar com vocês isso, porque agora percebo o quanto o tempo passa rápido e como devemos aproveitar ao máximo as oportunidades que temos de estar próximos a quem amamos. 
Como tentativa de amenizar essa "saudade", postarei algumas coisas que, falem do meu sentimento, ou que eu sei que ele gostava muito e faz sentir-me mais próxima dele.
NA HORA DE POR A MESA
JOSÉ LUIS PEIXOTO
na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.
NAQUELA MESA Zélia Duncan, Hamilton de Holanda e Nilze Carvalho
Quando eu era criança meu pai ouvia muito essa música. Mesmo não sendo da minha "época" e "gosto" eu gostava de ouvir também. Eu pensava assim.... quando ele se for e eu ouvir essa música vou lembrar-me desse momento (...) O dia chegou...
Jesus Alegria dos Homens Legendado ( Celtic Woman )
Outra música que ele ouvia cotidianamente...A letra e a melodia dizem tudo!
MAR ALTO
EMÍLIO MOURA
Que hei de fazer, se não me encontro,
se há tanto tempo estou perdido?
É o mar, meu pai: é o mar! E o mar está crescendo.
O mar é fundo, o mar é frio.

Meu pai, que silêncio,
que grave silêncio!
Por que não sorris?

Meu pai, estou perdido:
há tantos caminhos
no fundo do mar.
Como hei de voltar?
Gostava tanto de você - Tim Maia
Música lançada originalmente por Tim Maia (Sebastião Rodrigues Maia) no LP "Tim Maia".
PRECE
MARIA ESTER MACIEL
Dê-me o esquecimento, meu pai. 
Dê-me uma noite sem sombra 
ou sobressalto, um sono inteiro 
um instante sem rumor. 
Dê-me teu silêncio, meu pai. 
A solidez das pedras, o rigor das coisas 
a solidão sem dor.
AS MÃOS DO MEU PAI
MÁRIO QUINTANA
As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
- como são belas as tuas mãos -
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos
e tenta acendê-los contra o vento?

Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida - que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...
Pe. Fábio de Melo - Pai - Show, Vida - 20.09.08
MARINHA XXIX
GABRIEL BICALHO
timoneiro da saudade
hás de temer a tempestade
:
cedo ou tarde
no mar ou no amar
a tristeza te invade

25/02/2012

Aviso aos náufragos - Paulo Leminski

Esta página, por exemplo,
não nasceu para ser lida.
Nasceu para ser pálida,
um mero plágio da Ilíada,
alguma coisa que cala,
folha que volta pro galho,
muito depois de caída.

Nasceu para ser praia,
quem sabe Andrômeda, Antártida,
Himalaia, sílaba sentida,
nasceu para ser última
a que não nasceu ainda.

Palavras trazidas de longe
pelas águas do Nilo,
um dia, esta página, papiro,
vai ter que ser traduzida,
para o símbolo, para o sânscrito,
para todos os dialetos da Índia,
vai ter que dizer bom dia
ao que só se diz ao pé do ouvido,
vai ter que ser a brusca pedra
onde alguém deixou cair o vidro.
Não é assim que é a vida?

Planejamento 2012 - Terceiro dia

Terceira parte do documentário que retrata sobre crianças com distúrbios e dificuldades de aprendizagem.
A APRENDIZAGEM DA ORTOGRAFIA
Para nortear nossas discussões utilizamos um arquivo em PowerPoint. Como o material é extenso, visto que a temática é bastante complexa, colocarei aqui apenas os vídeos utilizados a algumas informações muito importantes.
OBJETIVOS:
* Como é que a criança vai organizando o sistema ortográfico? Temos clareza a esse respeito? Que ideia nós temos quanto a essa questão? Trata-se de uma construção (como a aquisição da escrita) ou mais uma questão de memorização?
* Como é que a criança vai organizando o sistema ortográfico? Ela organiza esse sistema ou não? Todas organizam da mesma forma? No mesmo ritmo? Ou em ritmos diferentes? Será que há aquelas que não organizam? Essa organização tem relação com a metodologia adotada pelo professor ou não?
* Que papel tem sua memória oral, ou seja, as referencias acústicas e articulatórias que servem de base para a oralidade, no domínio da escrita? Pensamos sobre isso no dia a dia? Levamos essa questão em consideração em nosso cotidiano? Em que medida? Damos ênfase a esse aspecto no processo de apropriação da escrita?
Ø Haveria uma tendência evolutiva das crianças de, aos poucos, elaborar e testar hipóteses confrontando-as com outras escritas e, desta forma, ir modificando-as para transformar “sua escrita” em escrita? Mas como se caracterizaria essa progressão, caso ela ocorra? Temos observado e valorizado isso? Encaramos a aquisição da norma ortográfica da mesma forma que encaramos a aquisição da escrita? Sim? Não? Por quê?
* As crianças percorreriam trajetos diferentes? Apresentariam as mesmas dificuldades ou hipóteses? Temos analisado essas questões? Temos como responder a essas perguntas?
* Qual o ritmo de apropriação do sistema ortográfico? Ë rápido? Lento? Fácil? Difícil? Diferente para cada criança? Similar? Saberíamos responder a essas questões? Por quê? Se não conhecemos esse ritmo, como ajudar e sobretudo respeitar essas crianças?
* Que tipo de erros são mais comuns? Será que conseguiríamos responder prontamente a essa questão? Temos analisado com rigor os tipos de erros apresentado pelos alunos?
* Porque eles estariam ocorrendo? Sabemos explicar porque eles estariam ocorrendo? Essa compreensão é importante? Por quê?
* Há certos aspectos da língua escrita de mais difícil apropriação do que outros? Se concordarmos com essa afirmação, saberíamos dizer com precisão quais e por quê? Se tivéssemos clareza a esse respeito faríamos alguma mudança em nossa metodologia de trabalho? Quais? Por quê?
* É possível desenvolver procedimentos pedagógicos que auxiliem a criança em sua trajetória de construção de conhecimentos? Se acreditamos que sim, o que devemos então fazer?
* Até quando podemos considerar a ocorrência de erros como um fato natural, ou melhor, como parte do processo de aprendizagem e, a partir de quando e em que tipo de configuração podem ser significativos como indícios de que a apropriação da escrita não estaria se processando adequadamente? Temos clareza a respeito dessas questões?
* Que tipo de elementos poderiam fazer-nos pensar, de fato, em um possível distúrbio? Saberíamos elencar esses elementos? Essa informação não é fundamental em nosso trabalho?
* Refletir com os professores: “como os livros didáticos abordam a questão da relação entre a fala e a escrita”? É clara? Adequada? Fundamentada?
* Qual das duas precisa de contextualização: a fala ou a escrita? Por quê?
* Quais as diferenças mais significativas entre a fala e a escrita?
* Todos os elementos da oralidade estão presentes na escrita e vice versa?
* Podemos considerar a escrita como uma representação da fala? Por quê?
* A clareza sobre esses conceitos das diferenças entre fala e escrita reflete no trabalho de alfabetização / apropriação / da escrita por parte da criança ou não, é indiferente? Se refletir, em que medida isso acontece?
* Questionar o grupo quanto a seguinte questão: “todos sabem definir o que significa multimodalidade discursiva?” Ter clareza sobre isso reflete em nosso trabalho com a língua? De que maneira?
Ø Definir através da exibição do vídeo, o que vem a ser multimodalidade discursiva;
Ø Discutir com os professores: “estamos trabalhando adequadamente a oralidade na sala de aula”?
Ø Refletir: temos claro, todas as características da linguagem oral e da linguagem escrita? Caso não tenhamos, podemos dizer que isso reflete positiva ou negativamente em nosso trabalho?
Vídeo: Fala e escrita. Luiz Antonio Marcuschi Departamento de Letras – CEEL – UFPE. (parte 1)
• Muitas vezes os livros didáticos, fazem uma tremenda confusão acham que a fala é contextualizada e a escrita descontextualizada, (...) 
• a escrita tem uma grande importância, uma grande supremacia, um grande valor. O que nos queremos fazer aqui é mostrar que isso é um equívoco, tanto a oralidade como a escrita são fundamentais (...) 
• Cada uma tem o seu lugar, são práticas discursivas que não concorrem, não competem, mas são complementares, e são utilizadas harmonicamente no dia a dia. (...)

Vídeo: Fala e escrita. Luiz Antonio Marcuschi Departamento de Letras – CEEL – UFPE e Ângela Dionísio - Departamento de Letras – CEEL – UFPE. (parte 2)

• multimodalidade discursiva, ou seja, estou concebendo que a fala e a escrita são multimodais, isto é, se caracterizam por formas diferentes de construir a informação. (...) 
• a escrita também é multimodal. (...) 
• há uma necessidade de se repensar, como ler na sociedade contemporânea (...) 
• a nossa escrita atualmente está ficando cada vez menos alfabética e cada vez mais envolvendo outras formas simbólicas. (...) 
• muita coisa que está em uma página não é alfabética (...)
Vídeo: Fala e escrita. Luiz Antonio Marcuschi Departamento de Letras – CEEL – UFPE e Ângela Dionísio - Departamento de Letras – CEEL – UFPE. (parte 3)
• Os gestos todos são itens lexicais (...); 
• características da fala, por exemplo, numa conversa é justamente a troca de turno, (...) na escrita não tem esse problema, porque a escrita eu estou fazendo sozinha, então eu decido (...), numa conversa face a face, com uma, duas, três, quatro pessoas, essa construção é coletiva, há uma cooperação. (...) 
• a questão da oralidade e da escrita está também acoplada aos gêneros textuais que nós construímos (...) 
• A escola não deve abandonar o trabalho com a oralidade e pensar que tudo está em casa. Ela tem que cuidar tanto da escrita como da oralidade. (...)

UM “PARÊNTESE” PARA EXPLICAÇÃO DOS CONCEITOS: sintático, fonológico, morfológico e consciência fonológica.

No HEC ocorrido no dia 03/11/11 uma professora que lecionava na EJA (na época) e que fez habilitação em deficiência auditiva na UNESP comentou que devido a sua formação ela enfoca essa questão (...) no processo de alfabetização (mesmo de adultos) por entender a importância disso dentro do processo ensino / aprendizagem. Ou seja, ela reiterou à importância de se pensar o trabalho com a língua materna do ponto de vista semântico, sintático, fonológico e morfológico. É claro que essas definições colocadas acima não foram devidamente explicitadas no momento da participação da referida professora no HEC. Aproveitamos então essa oportunidade em que estão todos os docentes reunidos para retomar essas questões.
Semântica
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(...) Professor tem que ter um projeto, ou melhor, tem que engajar-se em um. Quero dizer que cada professor pode pensar o que quiser, mas, trabalhando numa escola, deve assumir o projeto da escola. Isso deveria significar que, no mínimo, cada escola deveria ter um projeto mais ou menos unitário. A democracia e a liberdade intelectual – se é que esse é um caso para tanto – poderiam ser exercidas na forma de vários projetos em cada cidade, levados adiante por escolas diferentes. Mas não se pode aceitar que cada professor trabalhe segundo suas preferências – ou segundo a falta delas – misturando tudo na mesma escola. (...)
(...) Professor deve ter espírito de pesquisador (as verdades são provisórias e as teorias são numerosas e atraentes etc.), mas tem que atuar como se tivesse certezas, e um número razoável delas (perseguir o “português correto”, o texto bom, a boa - e variada - literatura). Parafraseando Gramsci: ele deve ter dúvida na teoria, mas certeza na prática. (...)
(...) Quanto mais o professor souber e vier a saber, melhor, mas há coisas essenciais, estratégicas, básicas, indispensáveis: especialmente ler e escrever bem. (...)
UMA SEQUÊNCIA DE APROPRIAÇÃO: ESCALA DE APROPRIAÇÃO EVOLUTIVA
AQUISIÇÕES FÁCEIS:
APROPRIAÇÃO LENTA E DIFÍCIL:
APROPRIAÇÃO MAIS LENTA E TARDIA:
No geral as crianças seguem uma trajetória semelhante (...), porém, nem sempre se processa da mesma forma para todos. Para algumas crianças a apropriação parece revelar-se mais lenta e dificultosa (....) 
Avaliações periódicas 
Estes dois parâmetros, queda na frequência e diminuição das áreas de dificuldades podem ser indicativos de que o processo de apropriação está em curso, que não há problemas de aprendizagem (...) 
Lembrar que nem sempre a presença de dificuldades significa a presença de um distúrbio. 
Análise dos resultados: Principais constatações. 
Apresentamos ao grupo a tabulação dos dados colhidos em cinco produções escritas dos alunos em todas as séries. Terminada a apresentação deste arquivo e as discussões suscitadas pela temática, os professores se reuniram por série para a reelaboração dos diagramas de conteúdo de Língua Portuguesa.
Não poderia deixar de registrar o capricho de "todos" os funcionários na preparação dos lanches para os três dias de planejamento. O bolo em destaque foi feito pela professora Denise Sulpício (temos muitos artistas aqui, com diversos dons, aos poucos pretendo apresentar cada um deles. Se eles permitirem, é claro!)

24/02/2012

Planejamento 2012 - Segundo dia

Continuação do documentário sobre distúrbios e dificuldades de aprendizagem.
celso vasconcellos planejamento
Celso dos Santos Vasconcellos fala sobre planejamento escolar
Por onde se deve começar um bom planejamento?
CELSO VASCONCELLOS Depende muito da dinâmica dos grupos. Existem três dimensões básicas que precisam ser consideradas no planejamento: a realidade, a finalidade e o plano de ação. O plano de ação pode ser fruto da tensão entre a realidade e a finalidade ou o desejo da equipe. Não importa muito se você explicitou primeiro a realidade ou o desejo. Então, por exemplo, não há problema algum em começar um planejamento sonhando, desde que depois você tenha o momento da realidade, colocando os pés no chão. Em alguns casos, se você começa o ano fazendo uma avaliação do ano anterior, o grupo pode ficar desanimado - afinal, a realidade, infelizmente, de maneira geral, é muito complicada, cheia de contradições. Às vezes, começar resgatando os sonhos, as utopias, dependendo do grupo, pode ser mais proveitoso. O importante é que não se percam essas três dimensões e, portanto, em algum momento, a avaliação, que é o instrumento que aponta de fato qual é a realidade do trabalho, vai aparecer, começando o planejamento por ela ou não.
É possível realizar um processo de ensino e aprendizagem sem planejar? 
VASCONCELLOS É impossível porque o planejamento é uma coisa inerente ao ser humano. Então, sempre temos algum plano, mesmo que não esteja sistematizado por escrito. Agora, quando falamos em processo de ensino e aprendizagem, estamos falando de algo muito sério, que precisa ser planejado, com qualidade e intencionalidade. Planejar é antecipar ações para atingir certos objetivos, que vêm de necessidades criadas por uma determinada realidade, e, sobretudo, agir de acordo com essas ideias antecipadas.
Ver entrevista na íntegra: clique aqui
Na entrevista colocada acima o professor Celso afirma: “é muito importante planejar o planejamento, reservando momentos específicos para cada assunto, e ser rigoroso no cumprimento dessa organização”. A princípio, nossa intenção era trabalhar neste dia com o tema: "Resolução de problemas". Nos preparamos antecipadamente, selecionando uma série de atividades diagnósticas que foram aplicadas pelos professores de quartos e quintos anos. Infelizmente tivemos que mudar “em cima da hora” as atividades programadas, porque vários professores não estariam presentes, por estarem participando de outro evento promovido pela SME. 
Trabalhamos então, com os professores de primeiros, segundos e terceiros anos, auxiliares de serviços gerais, auxiliares de escrita, atendentes de escola, instrutor de informática, professores coordenadores e auxiliares de direção, com o projeto de "Disciplina 2012".
Preparamos um arquivo em PowerPoint para ajudar a nortear nossas discussões. Abaixo coloco alguns pontos principais discutidos:
INDISCIPLINA - COMO SE LIVRAR DESSA AMARRA E ENSINAR MELHOR
O QUE É INDISCIPLINA?
Por trás desse problema - visto pelos professores como um dos principais entraves da boa Educação -, há a falta de conhecimento sobre o tema e de adequação das estratégias de ensino.
(...) A situação piora ainda mais se essas convenções (regras da turma) se baseiam em permissões, proibições e castigos sem nenhum tipo de negociação. Se isso funcionasse, as escolas estariam todas em paz. Esse caminho - o mais comum - é tão claramente ineficaz que se tornou um dos principais motes das tirinhas de Calvin, o personagem questionador e cheio de personalidade criado pelo cartunista norte-americano Bill Watterson. Desde 1985, ele dá um baile na professora, mesmo sendo advertido constantemente. (...)
Sem sua ajuda, a criança não aprende o valor das regras.
(...) Ensinar o tema aos alunos também é uma tarefa sua. "Esperar que os pequenos, de modo espontâneo, saibam se portar perante os colegas e educadores é um engano. É abrir mão de um dever docente" (...)
(...) é preciso enxergar o espaço escolar como propício para a vivência de relações interpessoais" (...)
(...) As questões ligadas à moral e à vida em grupo devem ser tratadas como conteúdos de ensino. (...)
O Programa da Série FILHOS, exibido pelo canal STV da rede SESC SENAC, apresenta o tema PAPEL DOS PAIS NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS. James Capelli bate um papo com o psicólogo Julio Groppa Aquino.
PAPEL DOS PAIS NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS.
Em vez de agir sobre a consequência, procurar a causa
(...) A autoridade do professor perante a classe só é conquistada quando ele domina o conteúdo e sabe lançar mão de estratégias eficientes para ensiná-los. (...) A escola é, sem dúvida, a instituição do conhecimento, mas é preciso deixar espaço para a ação mental da turma", (...)
Indisciplina como se resolve?
Não há solução fácil. Mas é essencial trabalhar - como conteúdos de ensino - as questões relacionadas à moral e ao convívio social e criar um ambiente de cooperação. (...)
Distinguir as regras morais das convencionais e discuti-las
(...) Erro comum em regimentos escolares é situar regras morais e convencionais num mesmo patamar. "As morais merecem mais atenção", afirma Telma Vinha, do GEPEM da Unicamp. Já as convencionais estão mais ligadas ao andamento do trabalho. (...)
Equilibrar de maneira justa sua reação a um problema
É sempre importante avaliar a real gravidade da transgressão. (...) Procura-se evitar os conflitos, vistos como algo antinatural, (...) "Mas, se as desavenças fazem parte da vida dos adultos, por que com crianças e jovens seria diferente?" (...)
Conquistar autoridade com o saber e o respeito ao aluno
Ficar irritado, gritar e castigar os que não se comportam como você quer - atitudes autoritárias e retrógradas - não adianta nada. Quando se tenta impor disciplina, a submissão e a revolta aparecem. "Hoje, isso não se sustenta mais. O mundo é outro" (...)
Os caminhos também não são nada que esteja fora de seu alcance. "É preciso diversificar a metodologia, (...) Pesquisas feitas mostram que os alunos querem que o professor tenha autoridade também para resolver os conflitos em sala, antes de recorrer à direção (...). Um ponto de atenção: o desrespeito do professor em relação aos alunos também alimenta a indisciplina. (...)
Ter como objetivo construir um ambiente cooperativo
(...) Um dos maiores desafios é, portanto, construir um ambiente cooperativo, no qual os alunos tenham voz, sejam respeitados e aprendam a respeitar. Isso faz com que o comportamento seja adequado naturalmente e não por medo de sanções (...)
(...) Afinal, além de conhecer os objetivos pedagógicos, é você o adulto da situação. A negociação é a palavra. E ela tem de ser justa. (...)
Agir na hora certa e sempre manter a calma
(...) em momentos conturbados na sala você tem de manifestar desagrado com relação a comportamentos inadequados.(...) É preciso chamar a atenção, mas sempre com respeito e mostrando que o grupo é que está sendo prejudicado, e não apenas você, pessoalmente. Tratar o estudante dessa forma faz com ele também perceba como agir em momentos de conflito.
Ficar alerta porque a indisciplina nunca acaba
(...) Esse trabalho não tem fim. (...)
Incentivar e respeitar a autonomia do aluno
Os problemas de comportamento podem ser um jeito de as crianças mostrarem a você que uma regra é desnecessária ou não está funcionando. Em outras situações, elas esperam chamar a atenção e solicitar que você se aproxime e se interesse pelas ideias delas. "É como se pedissem por cuidado e apreço ou ainda que se delimite o que se deseja delas com o que está sendo realizado", (...)
(...) Ele necessita de referências e de orientação. O que ele espera é ajuda para pensar. É importante que alguém - na escola, você - coloque as regras, até que, efetivamente convictos, crianças e jovens possam gerenciá-las e, de forma autônoma, viver bem em sociedade. (...)
Após a apresentação de todo o projeto os professores se reuniram por série para responder a quatro questões proposta pela direção / coordenação relacionadas ao projeto.
Após o intervalo recebemos a professora Joice Ribeiro Machado da Silva (professora efetiva da nossa escola, mas que se encontra em afastamento sem remuneração para concluir seu curso de doutorado). Ela utilizou um arquivo em PowerPoint para nortear as discussões a respeito do ensino das "Estratégias de leitura". 
Justificativa:
Ensinar a ler é um processo que envolve muito mais que simples decodificação; 
Leitura é compreensão, busca e atribuição de sentido àquilo que se lê; 
Atividades de verbalização oral do textos, cópia, ditado, redação como produto final de uma leitura, são práticas equivocadas para se ensinar a ler.
Como fazer então?
Rever o que é leitura; 
Utilizar as estratégias de leitura específicas; 
Utilizar a literatura infantil.
Leitura
(...) “o ato de ler não pode ser se caracterizar como uma atividade passiva” (BRANDÃO; MICHELETTI, 1997, p. 18), ao contrário, necessita de uma atitude ativa por parte do leitor; 
Um leitor crítico não realiza apenas a decodificação; 
Ele é cooperativo, é produtivo e sujeito no processo de ler; 
(...) “a literatura, por ser um discurso dialógico, dialoga com o leitor que lhe da vida e lhe atribui significações” (p. 26).
Como se ensina a ler?
Geralmente as atividades de leitura partem de uma “leitura silenciosa do texto, seguida de uma leitura oral, estudo do vocábulo e entendimento, e concluída com uma produção de texto” (SILVA; CARBONARI, 1997, p. 103); 
A oralização do texto é vista como garantia de compreensão, ou seja, basta o aluno ouvir para compreender; 
Ao realizar essa prática, o “professor se exime da sua responsabilidade de mediador no processo de aprendizagem, ficando este exclusivamente por conta da capacidade do aluno” (p. 107)
Literatura infantil
Por que utilizar a literatura infantil? 
Linguagem mais elaborada que permitirá um avanço no modo de pensar das crianças (aliás de todos); 
O suporte é o livro e não fragmentos de textos comum em livros didáticos; 
A literatura é um ato social; 
A literatura faz uso da arte e possuiu um mensagem implícita no texto; 
Permite um contribuição muito maior para o letramento literário.
Estratégias de leitura
O que é? 
Tudo aquilo que colocamos em jogo em jogo antes, durante e depois da leitura; 
Precisamos ensinar os alunos a ativarem as estratégias que estão ao seu alcance quando este forem ler;
Por que ensiná-las? 
Precisamos mostrar para a criança como a leitura se processa em um leitor fluente; 
Como estes leitores utilizam estas estratégias; 
O que se processa em nossa mente quando atuamos com um livro; 
O que pensamos, o que sentimos, o que imaginamos, o que enxergamos, tudo isso precisa ser ensinado para os alunos; 
É um processo de fazer a criança tomar consciência daquilo que nós leitores fazemos.
Estratégias de leitura
Quais são elas? 
Conhecimento prévio; 
Conexões; 
Inferências; 
Visualização; 
Sumarização; 
Síntese.
Sequência didática: 
Organizar o trabalho pedagógico de modo que primeiro a criança observe o que o professor irá fazer, dizer e pensar ao ler, no sentido de “moldar” aquilo que ele espera que a criança faça depois ao realizar um atividade proposta; 
Práticas guiadas: com a sala toda, em pequenos grupos e individualmente; 
Sequência didática em torno de 50 a 60ª min: 5 para moldar; 40 a 50 para prática guiada; 5 a 10 para ava
liar os novos conhecimentos adquiridos. 
Para finalizar a professora Joice indicou a leitura do livro de literatura infantil abaixo: